sábado, 18 de junho de 2011

Reflexo no Esgoto

Sou cinza, sou pranto,
sou medo, sou rato.
Nem ao menos sou - sou menos.
Escarro a morte,
engasgo o podre.
Sinto o sangue engrossar até tornar-se mágoa,
mas não choro;
a lágrima -
já negra, já pálida -
não lava mais minh'alma
só suja meu rosto.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Azul - Companhias Aéreas

Antes de alcançar as estrelas
enfrentarás bestas e quimeras.
Mas não tarda. Chegarás àquelas
paisagens tão belas
das quais nenhum homem sequer lembra em terra.
E que surpresa terás
ao ver que as que antes eram
monstros, sonhos e feras
tornaram-se essas-
os campos, os vales, as serras.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A Construção do muro de Alá

Barack Obama poderá ser lembrado como o presidente americano que perdeu poder e aliados no mundo. Afinal, além das manifestações na Tunísia e no Egito terem derrubado seus respectivos governantes, antigos parceiros americanos, elas incentivaram novas revoltas que também ameaçam outros aliados da Casa Branca. Fatos como esses colocam em cheque a estabilidade política e militar da região. O sinal de alerta está aceso para Israel, para as principais forças ocidentais e em especial para a super potência em declínio.

O sinal é reflexo do receio de que, com o surgimento de novos governos islâmicos radicais, novas investidas contra Israel sejam feitas. Contudo, os maiores temores são que, como aconteceu no passado, o nascimento de novos governos com forte sentimento anti-estadunidense e ataques a Israel gerem gigantescas oscilações no preço do petróleo, motor da economia capitalista. Basta lembra que, em 1973, a guerra do Yom Kipur marcou a primeira crise do petróleo. Assim como, em 1979, a revolução islâmica no Irã proporcionou o segundo choque desse combustível. Fatos esses que abalaram toda economia mundial.

Assim, as eleições egípcias marcadas para setembro poderão decidir o futuro das relações desse país com aqueles alinhados ao Ocidente e aos EUA. O Egito é uma força política e militar na região. Perder o apoio de um país que tem um acordo de paz com Israel não é do interesse de Washington. Caso o acordo seja quebrado, outros países próximos que tem repúdio aos israelenses poderiam se inflamar. Todo esse receio tem fundamento, pois a principal oposição organizada é a irmandade mulçumana.

Esses acontecimentos colocam em dúvida a credibilidade de Barack Obama, inclusive nos EUA. A questão é: se tratamos de uma deficiência política de Obama na tentativa de manter o papel americano de policial global, ou se realmente estamos diante de uma fraqueza Yankee. A única certeza neste momento é que a libertação do mundo árabe das ditaduras apoiadas pelos EUA deverá diminuir muito o poder de influência dessa nação na região mais rica em petróleo no planeta.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Dado de Beijo

Doce ou amargo?
Não sei,
foi-me um beijo negado.

Mas nego!
Não de nada, nem de tudo;
nego o negado!

Dado, não! Dado ah...
Dado é dado, nem pedido,
não é negado. É dado!

Mas... e roubado?
Nem dado, nem pedido, nem negado.
Roubado? É...
(beijo roubado)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Onde estará a Pantera Cor de Rosa?

É fato que o preconceito contra os negros existe e é forte. É fato também que, no Brasil, esse sentimento tende a se tornar cada vez mais velado devido às vitórias históricas desse grupo, como tornar inconstitucional qualquer manifestação de racismo. Além dessa conquista, a moral cotidiana passou a reprimir o preconceituoso no dia-a-dia. Atualmente, é “feio” ter e assumir aversão aos negros. Contudo, será que demonstrações claras de preconceito contra outros grupos também são enfrentadas assim?

Se pararmos um pouco para pensar, veremos que não. Dois fatos que ilustram essa resposta foram veiculados pela mídia brasileira recentemente. O meia Richarlyson do São Paulo Futebol Clube foi hostilizado, por exemplo, durante todo o campeonato brasileiro do ano de 2010 pelo fato de ser, supostamente, homossexual. No dia 2 de fevereiro de 2011, no caderno Cotidiano da Folha de S. Paulo, ficou claro que o governo do Estado paulistano deixou de contratar quatro profissionais devido ao seu peso, fato esse considerado incompatível com a constituição brasileira pela OAB. Situações como essas, aparentemente, só serão reprimidas se esses dois grupos se mobilizarem de modo ético e político cotidianamente. Características que, com certeza, não se enquadram com as da “Parada Gay”, verdadeiro carnaval fora de época.

Agnes Heller, filósofa marxista, condenaria esse movimento, afinal se ela exige uma solução, ou indaga a um problema, isso, sem dúvida, está em segundo plano. O principal debate gerado em torno do evento é sobre as cifras que viram para a cidade de São Paulo e não sobre o preconceito em relação ao homossexual.

Mesmo que o movimento ganhe outros rumos e consiga conquistas semelhantes as dos negros, o preconceito ainda existirá. Heller pensa ser muito difícil eliminar o preconceito do cotidiano. Entretanto, acredita ser plenamente viável acabar com os seus reflexos e conseqüências. Poderíamos não ter que presenciar fatos como os dirigidos ao atleta Richarlyson, ou aos candidatos a professor no Estado de São Paulo. É importante que assumamos nossos preconceitos (assim como tento fazer com os meus) e não tenhamos vergonha deles.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A Segunda Impressão Sobre a Primeira Mulher Presidente

Apesar dos poucos leitores que tive em minha última postagem (e que ainda freqüentam este blog), sou obrigado a dizer que mudei de opinião sobre a nossa primeira presidenta. Dilma Rousseff tem mostrado completa independência de seu padrinho político; neste curto mês em que ocupou o maior cargo de nossa república, a presidente superou em muito minhas expectativas.

Primeiro de janeiro, depois de almoçar muito bem na casa de minha avó, sentei para assistir à TV. Sabem o que estava passando? A posse. A essa altura a cerimônia já chegava ao Palácio do Planalto, Dilma estava no Rolls Royce presidencial na companhia de sua filha, creio. Atrás vinham Temer e sua simpática mulher, essa que roubou meus olhos durante a esperada entrega da faixa.

Mas não foi por falta de pontualidade que deixei de ver outros momentos importantes desse marcante dia da história brasileira. Todos os meios de comunicação estavam recheados com notícias sobre o ocorrido, e não sei em qual desses vi o primeiro discurso feito por Dilma no ano – aquele no Congrsso Nacional – ao qual bati palmas quando nossa presidente falou: “ (...) prefiro o barulho da impensa livre ao silêncio das ditaduras”, fazendo clara menção à lei que seu antecessor quisera tanto aprovar.

Claro que não foi apenas seu discurso que me motivou a preencher estas longas linhas; quanto à política externa, Dilma apresentou outra postura que me agradou muito. Ao contrário de Lula, que sempre fez questão em demonstrar sua enorme simpatia por ditaduras como a cubana, sua sucessora condenou as violações dos direitos humanos praticadas pelos Castros no último meio século.

Além disso, a nova presidente bateu o martelo para fixar o salário mínimo e para legalizar as moradias da região serrana do Rio de Janeiro, decisões que batem de frente com movimentos trabalhistas e populares aos quais Lula preferia apadrinhar enquanto trabalhava sua imagem populista.

Sendo assim, confesso que me enganei sobre nossa primeira presidenta, e, realmente, não é nosso velho Lula que continua a dar as cartas; mas sim a primeira mulher a ocupar tal cargo em nosso país.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Doce Ilusão

Getúlio Vargas ficou para a história do Brasil como o “Pai dos pobres”. O ditador brasileiro recebeu tal status por ter sido o nosso primeiro governante a dar reais benefícios às classes sociais menos favorecidas. Essa bonita história esconde, porém, os interesses manipuladores de Vargas, a barbárie em que vivia a sociedade da época e vivemos e o título dado por um setor mais crítico da sociedade, tão merecido quanto o primeiro, de “Mãe dos ricos”.
Getúlio, assim como os outros governantes considerados populistas, tornou-se muito popular entre os trabalhadores devido aos privilégios que a eles concedeu. E, a partir dessa popularidade, Getúlio os manipulou. O ditador viveu num mundo onde o movimento trabalhista era forte em quase todos os países. Por meio dessas lutas, o proletariado passou a conquistar certas regalias. Contudo, para alcançá-las, era necessário ter uma excelente organização e pessoas com consciência de classe. O Brasil que iniciava a sua explosão industrial com Getúlio também passaria, em algum momento, por tal situação. Entretanto, na medida em que Vargas dá ao povo todos esses privilégios e reformula todos os sindicatos, tirando todos aqueles considerados subversivos, nosso proletariado se tornou pouco combativo.
Não é à toa que Getúlio também pode ser chamado de “Mãe dos ricos”. Além de usufruir da infra-estrutura criada pelo Estado getulista, o empresariado se acostumou a trabalhar, ou melhor, a explorar o seu empregado sem que ele pudesse se organizar e lutar por melhores condições. Afinal, mesmo tendo seus méritos, a CLT feita por Vargas é uma cópia das leis trabalhistas criadas pelo ditador italiano Mussolini, também preocupado em manipular o povo italiano, desenvolver a indústria e o seu projeto fascista. Outro fato que exibe o caráter manipulador de Getúlio e a sua preocupação com o empresariado é a sua contribuição na criação de dois partidos distintos que representam classes sociais antagônicas, o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), representante dos trabalhadores e o PSD (Partido Social Democrático), defensor dos interesses da burguesia.
A adoração àquele que manipulou descaradamente, mas fez, eliminou toda oposição preocupada com as causas sociais em nome do progresso, mas fez, aproxima-se ao carinho paulistano ao “Rouba, mas faz” de Paulo Maluf. É claro que estamos num estado crítico, afinal, mesmo sabendo de todos esses fatos, adoramos políticos corruptos e claramente manipuladores. Contudo, é tão claro quanto o que acabou de ser dito que essas adorações são reflexos de um povo desiludido e sem ídolos. A falta de ícones populares faz com que passemos a adorar certos mitos, folclores sobre pessoas que não merecem tal reconhecimento a partir de ilusões criadas de modo proposital, como a feita sobre Getúlio Vargas.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A Primeira Mulher Presidente?

Ontem foi eleita a primeira presidenta do Brasil, sucessora e afilhada política do primeiro proletário a subir no poder no nosso país. Por mais progressista que pareçam os fatos recém-narrados, não consigo afastar de mim o medo do retrocesso que isso possa nos trazer.

Recentemente, formou-se uma onda de populistas na América Latina; sim, temos Fidel, isso desde os anos 60, mas esse parece inexpressivo e impotente hoje; o problema são simpatizantes do ditador cubano na América do Sul, como Cháves, Morales, o finado Kirschner e o atual presidente do Brasil: Luis Inácio Lula da Silva. Pronto petistas, essa é a sua deixa para parar de ler este texto imediatamente e almadiçoar todas as gerações da minha reacionária família elitista, ou, para aqueles que ainda têm senso democrático, continuar a dar voz para quem pensa diferente.

Não nego os avanços sociais que o Brasil passou nos últimos oito anos; seria como negar a Getúlio o título de “pai do povo”. Sou grande admirador de Vargas; é, com certeza, um dos meus brasileiros prediletos: sua competência política, a estabilidade que manteve mesmo durante o Estado Novo, seu corpo que teve como verdadeiro leito, não o honroso Palácio do Catete, mas os calorosos braços do povo; Machado de Assis (que era Machado de Assis...) teve apenas uma visita estranha, e portanto ilustre, na hora de sua morte.

Certo, certo; eu quis mesmo dar uma mãozinha para o Getúlio agora há pouco, não sou ingênuo o suficiente de canonizar um ditador que se poderia dizer fascista, mas mesmo assim gosto dele, ainda mais que não vivi sob a tutela do Estado Novo.

O mesmo, ao meu ver, acontece no cenário atual; Lula trabalha para canonizar-se. Um sinal disso é a exarcebada militância petista, que para mim soa bem fascista. Quantas não foram as piadas que ouvi a respeito da “bolinha de papel”. Concordo que tomografia é exagero, mas Dilma não tomou bolinhas de papel de militantes tucanos, houve, sim, o caso das bolsas d’água, suspeitosamente um dia depois da bolinha do Serra, que não a atingiram e nem conseguiu-se descobrir os malfeitores; percebem a guerra simbólica? O problema não é a bolinha, é o ato de militantes petistas irem arrumar confusão no ninho do tucano carioca.

Outro exemplo são as políticas sociais que disse no começo do texto. O “Bolsa Família”, as cotas (que merecem um texto a parte), entre outros funcionam como um grande mercado de votos, isso sem falar no velho serviço público, com todos os seus assessores e assessores de assessores.

Lula está no poder há oito anos, mas sua corrida ao Palácio da Alvorada começou há vinte, quando foi derrotado por Collor e desde então só não foi candidato nessas eleições, porque a Constituição não o permitiu. Mas logo ele tratou de escolher uma figura sem expressão pública dentro de seu partido, a então ministra da Casa Civil acessorada por Erenice Guerra (que entra no mesmo patamar das cotas), que até ali nunca tinha disputado um cargo eletivo, para servir como sua sucessora política.

Junto a isso, o governo federal instruiu as Câmaras Estaduais aliadas que propusessem uma lei de censura à imprensa, defendendo que essa cometeria abusos. Ora, criticar o governo não é abuso nenhum, é um direito fundamental à democracia. E os órgãos estatais? A TV que filmou as propagandas da presidenta eleita? Ou então, a nossa sugestão à Academia para concorrer a melhor filme estrangeiro, vocês viram? “Lula: o Filho do Brasil”. Sinceramente, não conheço o filme, por enquanto, basta-me o do Mandela, mas foram tantos os filmes brasileiros a que assisti este ano para os quais “brilhante” soaria modesto, que acho no mínimo suspeita esta indicação.

Então, seria mesmo a primeira mulher presidente? ou o nosso velho Lula?

Alegra-me ver que o Brasil não se mostra uma Bolívia ou uma Venezuela para abraçar esses neopopulistas; no Piauí a lei "anti-imprensa" já foi entendida inconstitucional, Dilma não teve maioria brutal e avassaladora dos votos e os meios de comunicação não têm a menor intenção de deixarem de ser incômodos.

sábado, 21 de novembro de 2009

São Carlos - Da escravidão ao Tecnopólo

Que este título não passe uma idéia positivista, nem de uma linha evolucionista da história, já que tento fugir dela. Porém, que ajude a escancarar um problema crônico brasileiro; a desigualdade, ou mais que isso, o choque entre o arcaico e o moderno.

A cidade de São Carlos é referência por causa das suas universidades, USP e UFSCAR. Mais do que possuir universidades de tal porte, esses centros possuem pesquisas muito avançadas. Enquanto o LATAR (laboratório de tratamento e reuso das águas) produz tecnologias de ponta, a alguns metros dali, no centro comercial da cidade, são poucos que sabem algo concreto referente às universidades. Isso nos faz refletir sobre uma alienação geográfica, comum no Brasil. Essa separação tão forte é fruto de um processo histórico e cultural, pois desde sempre, as empresas que aqui se instalaram, por exemplo, tiveram facilidades fiscais e uma fraca fiscalização ambiental. Nunca foi exigido pelo nosso governo, que se fizesse algo para a população local, depois de utilizar seus recursos naturais. Logo, essas empresas, ou instituições públicas estão presentes fisicamente nesses locais, todavia constituem relações muito fracas.

Portanto, a afirmação de que essas universidades têm grande importância social, é uma constatação do ponto de vista de uma pequena parcela da sociedade, ou seja, uma elite que pode acessá-la.

Curioso que essa cidade acaba sendo considerada pela própria prefeitura e por vários moradores através da propaganda feita pelo município, como a capital da tecnologia, mesmo tendo seu passado extremamente ligado a produção cafeeira, e infinitamente esquecido e apagado pelo sistema educacional da região. Cultura cafeeira que por sinal ajudou a fundar a cidade, com os privilégios que foram cedidos ao Conde do Pinhal.

Porém, será que é do interesse, ou faz diferença para as autoridades o conhecimento da maioria sobre disso? E sobre o que se desenvolve nas universidades, ou até do poder econômico da cidade? Pois, se tratamos de uma cidade com tais características, onde estão esses benefícios que não são refletidos para a maioria? Já que ao entrevistar essa população, foram observadas reclamações e carências a todas as áreas de serviços fundamentais que deveriam ser responsáveis pelo poder público.

O conhecimento sobre a história da sua região e, como conseqüência, a atual situação dela é fundamental por diversos motivos, entre eles os políticos e até do conhecimento como fim em si mesmo, sem um desejo prático instantâneo. Contudo, falar isso de São Carlos é simples, mas e nós? Conhecemos a história da nossa cidade? Será que isso é da maioria? E sobre a USP?

terça-feira, 3 de novembro de 2009

É pixo neles!

Vivemos em uma cidade de fato singular, acabo de saber que foi aqui em São Paulo que a pixação teve sua origem, sendo assim um movimento legítimo da Paulicéia ritmada.
A Pixação é algo que nos deparamos no nosso dia-dia adentrando nossa frente em cada esquina, cada muro, cada espaço urbano.
Confesso ter passado grande parte da minha vida reprimindo esse tipo de movimento devido a sua grosseria estética, se é que posso cometer esse julgamento pouco digno, mas de uns tempos para cá tenho me pego pensando e defendendo os pixadores da São Paulo que não dorme.
Pelo simples fato de ser um legítmo movimento de apropriação do espaço urbano que nos é tão estranho. Deixar o nome lá pixado em preto com uma tipografia pouco compreensível nas portas do Banco Safra ou da Venda de Verduras do italiano anarquista nada menos é do que tornar a cidade menos estranha aos seus habitantes, e principalmente aqueles menos privilegiados, a quem ela normalmente é mais hostil e rude.
Não hei de entrar no mérito do desenho em termos qualitativos, ou mesmo se aquilo é de fato arte, pois embora eu a considere, não é esta a questão na qual pretendo me apegar.
Mas sim como as pixações interferem no cotidiano, e se levadas para a galeria elas ainda trazem sua essência enquanto manifestação artística urbana e popular. Em primeiro lugar é importante discutirmos o que é público, o que é o espaço público. O recorrente argumento de que aquele muro pertence a um "cidadão de bem" e o pixador não tem o direito de vandalisar aquilo com sua natureza criminal é bem presente nos discursos de quem se manifesta contra o movimento de pixação, logo, começo nesta mesma chave, só que ao contrário.
Primeiro eu gostaria de ir logo ao ponto, bem claramente: Do muro pra dentro é seu, mas do muro para fora, incluindo o muro, meu querido, é tudo nosso! É da cidade, e sendo da cidade pertence a todos, todos podem e devem interferir naquele espaço pois a cidade não deve ter sua funcionadlidade ligada somente a estadia de seus munícipes, ou ser uma paisagem tranquila, a cidade é o lugar dos confrontos, entre as ideologias, entre as realidades e no caso entre as estéticas.
E antes que venham com aquele discurso fraco e batido de que "seu direito acaba onde o meu começa" digo lhe que no caso os direitos estão todos misturados, e se depender de mim e dos pixadores, eles seram escritos e atravessados nos muros das nossas casas.
Então cabe a nós interferirmos no espaço urbano. A nossa representação de classe(filhos da burguesia), cá entre nós, não tem nenhuma produção ligada a este tipo de intervenção (podem desistir! que consumir não é intervenção no espaço, pelo contrário, e a reafirmação de uma estética de massa). Os pixadores hoje, são os que melhor modificam e se apropriam deste espaço, escrevendo os seus nomes, se indentificando com a cidade.
Mas não me venham também com discurso de ONG, que sempre, repito, sempre é hipócrita e mercadológico, de que vai selecionar um muro no seu beco particular ou da sua galeira de "strett-art" ou espaço do meio-ambiental para que os pixadores e grafiteiros desenhem e que todos possam conviver em paz. Esse discurso pode parecer uma alternativa à estética atual,mas nos engana, pois ele a reafirma, se apropriando desses movimentos, e vendendo suas mercadorias atraves desses movimentos(vejam os becos da Vila Madalena, o quão mercadoria aquilo já virou.).
Lembremos, meus caros amigos, não estou discutindo estética, pois definitivamente os becos da Vila Madalena, entre outras centenas parecidos são belíssimos e confesso ser conservador demais para discutir estética, digamos que minha caretisse artística não cai bem à essa discussão tão revolucionária.
Também não peço que os governos a partir de então incluam pixo nas "leis das cidades limpas", não quero ver o pixo sendo apropriado pelos tucanos e democratas com suas confusões urbanas ou até mesmo pelos petistas que em grande parte, só fazem média, eu quero ver o pixo na ilegalidade, pois só um movimento esteticamente violento pode responder a altura a violência estetica do capitalismo.
A critica e a resposta tem que ser radical, não pode ir para as galerias, não que as galerias não sejam o lugar da revolução estetica, mas esta especifica só é revolucionaria quando feita na urbes, na galeria ela fica domada, como o capital a quer, calminha.(já imaginou um pixo da Hello Kitty?)
Eu entendo que estes artistas ou interventores tenham de ganhar seu dinheiro e que todo mundo quer satisfazer seus desejos, mas na galeria não é pixo, é uma copia estética do pixo, mas não o é!
Não podemos levar os pixos para as galerias convencionais, temos que entendermos a rua como a galeria legítima para esse tipo de arte, temos de mudar nossa concepção de cidade, a cidade é um museu, uma galeria, cabe a nós ressigficá-la frente ao ritmo de produção. As obras já estão expostas, devemos diminuir nosso ritmo para vê-las.
Mas não devemos entender a cidade como uma galeria que proteje suas obras, por serem elas sacras, pelo contrário, a insegurança da obra na cidade é o seu maior valor museológico, a obra enquanto interina,uma obra na cidade que não seja perene, que não fique trancafiada em uma caixa de vidro, como a Monalisa. Que seja destrutível, para que então, possa ser recriada e assim se sustentará a verdadeira arte urbana.
Confesso não apreciar a estética do pixo, mas a arte e os movimentos estéticos em geral são como a espuma de uma bebida, elas só se sobressaem do que de fato é a sociedade. A sociedade planta sua própria cultura e a sua arte, e cabe a nós entendê-las melhor. Uma sociedade como a de hoje não pode pedir mais de suas formas artísticas populares do que o pixo, o grafite, pois eles são legitimos e refletem de forma contrária uma cidade de passagem.
Então meus caros, me manifesto aqui favorável à pixação, e caso esta venha a ocorrer no meu muro, aconselho o mesmo tipo de entendimento caso aconteça a vocês: Se dê por contente que seu muro foi apropriado, foi modificado. Caso não goste da modificação, vá até o muro do teu vizinho ou até o de alguém do outro lado da cidade e pixe, modifique,mas não resmungue por algo tão interessante e popular, pois aqui isto é raro, você acabada de presenciar na sua pele, digo parede, uma movimentação política de apropriação urbana do Séc XXI, é mais raro que ouro. Se satisfaça por ter ocorrido contigo, entenda o privilégio que você teve, e por fim, respeite a pixação e seus interventores, os pixadores.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Como o Brasil foi apodrecendo?

Os poderes começaram a “definhar” aproximadamente no ano de 1889, no período da República das Oligarquias Cafeeiras, o coronelismo e o curral eleitoral evidenciaram como o sistema supostamente “impenetrável”, foi “apunhalado pelas costas” por parte dos próprios representantes dos poderes! Naquela época ficou nítida a opção dos governantes brasileiros em priorizar uma minoria e excluir a maioria, não é a toa que se destacaram muitas revoltas de caráter popular, exemplo disso é a Revolta da Vacina, que “empurrou” os pobres para os morros, “deslocou” os negros do âmbito social. Que coisa mais ridícula essa política de branqueamento, essa tentativa de “europeizar” a sociedade brasileira, isso não tem nada de moderno.

100 anos mais tarde, 1990, entra vem vigor o Plano Collor, um conjunto de reformas econômicas e ações para estabilização da inflação: Programas de reforma de comércio externo, política industrial mais conhecida como PICE, e um Programa de Privatização intitulado Programa Nacional de Desestatização, mais conhecido como PND. Fernando Collor de Mello teve seu mandato precidencialista cassado em 1992, por envolvimento em esquemas de corrupção, em parceria de seu sócio e tesoureiro de campanha eleitoral Paulo César Farias. Então, os poderes não melhoraram, muito menos a estrutura do país. Corrupção é sinônimo de “involução”, de retrocesso! O "esquema PC" arrecadou exclusivamente de empresários privados o equivalente a US$ 8 milhões, R$ 15 milhões, em dois anos e meio do governo Collor. PC Farias teria controlado quase todos os ministérios durante o governo Collor e diversos setores da economia. O ex-tesoureiro da campanha de Collor teria manipulado grandes contratos do país através da indicação de funcionários no segundo e terceiro escalões do governo para alterar documentos, criar contas fantasmas e desviar, sem pistas, verbas que deveriam ser aplicadas em obras públicas, educação, saúde, segurança e previdência social. A Polícia Federal, ao longo de investigações no Brasil e no exterior localizou contas de PC Farias na Europa, de onde foram feitas transferências para as contas em Nova York e Miami. Repare que o fato de um presidente “passar” suas obrigações a outra pessoa, é ferir a constituição da maneira mais grave, afinal de contas, uma vez eleito presidente, as responsabilidades de “chefe do país”, cabem a ele e só a ele.

Mensalão, 10 anos após o escândalo do governo Collor, o povo brasileiro saturado de corrupção, explode na mídia Roberto Jefferson denunciando um esquema que desvia verba pública. Considerada a maior crise política sofrida pelo governo brasileiro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2005/2006, suposta "mesada" paga a deputados para votarem a favor de projetos de interesse do Poder Executivo. Foi descoberto em julho de 2008, durante uma investigação sobre o banqueiro Daniel Dantas, que o Banco Opportunity foi uma das principais fontes de recursos do mensalão. Através do Banco Opportunity Daniel Dantas era o gestor da Brasil Telecom, controladora da Telemig e da Amazonia Telecom. As investigações apontaram que essas empresas de telefonia injetaram R$ 127 milhões nas contas da DNA Propaganda, administrada por Marcos Valério, o que, segundo a PF, alimentava o Valerioduto, esquema de pagamento ilegal a parlamentares. A Polícia Federal pôde chegar a essa conclusão após a Justiça ter autorizado a quebra de sigilo do computador central do Banco Opportunity. A maioria dos problemas explode no Executivo, justo aquele poder que é supervisionado e comandado diretamente pela “força maior do Estado”, o presidente que teria o poder da “ação”, de concretizar, de definir.

Não quer dizer que no Legislativo e Judiciário não existam problemas, claro que temos. Exemplos destes são quando o TCE julgou irregular a Tomada de Contas do Legislativo Municipal de Barros Cassai no exercício de 2004. O conselheiro Porfírio Peixoto, em seu relatório e voto, levantou ressalvas às normas de administração financeira e orçamentária. Depois de ser cientificado da decisão, o presidente da Câmara de Vereadores de Barros Cassai, no ano citado, teria um prazo de 30 dias para recorrer e tentar reverter sua situação (ele que se vire pra provar que não desviou verba, quero só ver). Ou também quando o jurista Elival da Silva Ramos, que acaba de conquistar uma cadeira de professor titular de Direito Constitucional da Universidade de São Paulo criou uma tese contrária ao ativismo desse Poder. "O Judiciário, às vezes de maneira um pouco inconsequente, tenta resolver os problemas nacionais, custe o que custar. E, na verdade, cria outros problemas", disse ele ao Estado. "Se acreditarmos que o STF pode decidir de maneira livre, aquilo que quiser, então joga fora a Constituição e o Supremo vai escrever outra." Isso demonstra que “decisões de maneira livre” são comuns quando os representantes dos poderes são reunidos, fugindo do que está pré e pós estabelecido na Constituição!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Olimpíadas vem aí!

Depois da euforia em relação à vitória do Rio para sediar as olimpíadas de 2016, vamos tentar fazer uma análise mais fria e centrada.

As olimpíadas, a Copa do Mundo de 2010 e os jogos Pan-americanos de 2007 demonstram a importância geopolítica que nosso país vem tendo mundialmente nos últimos tempos. Até por que, vencemos na disputa para a execução das olimpíadas, potências inquestionáveis, como Chicago (EUA), Madrid (Espanha), Tokyo (Japão), entre outras.

Porém, é Curioso analisar a posição do povo japonês que em meio à crise mundial, rejeitou os jogos com aproximadamente 40% da população. Eles gostariam que esse dinheiro não fosse investimento na modernização da infra-estrutura necessária para execução dos jogos, e sim em outras áreas que beneficiassem diretamente a todos. Sem considerar que tratamos de um país resolvido economicamente e que, certamente, não tem nossos problemas sociais.

Enquanto isso, batemos palma para um evento que custará cerca de 26 Bilhões de reais, aproximadamente 1% do PIB brasileiro, se considerarmos o ano de 2008. Com certeza teremos uma maior infra-estrutura para a cidade do Rio de Janeiro, mas apenas para o Rio, com o dinheiro dos outros Estados. Além de que, tratamos de uma melhoria de infra-estrutura até a segunda página, pois muitas dessas obras ficaram sem uso depois dos jogos.

Quantas escolas e hospitais poderiam ser construídos com esse dinheiro? E se somarmos os gastos do Pan de 2007 e do que se pretende gastar na Copa de 2010, com as Olimpíadas? Claro que para um governo que quer se restituir no poder, essas cerimônias são mais importantes, porque impressionam infinitas vezes mais a população.

Nem citarei a violência como um problema, pois é possível prever que a repressão será tão forte nas favelas cariocas a ponto de capitão Nascimento nenhum colocar defeito. Isso por que nem consideramos uma questão crônica do nosso país: a falta de transparência com o uso do dinheiro público.

Mais do que a corrupção, os últimos escândalos que saíram na mídia aumentam o pessimismo em relação a essa organização. Como queremos organizar tantos eventos de tamanha importância, se temos dificuldade em organizar uma prova, como o ENEM? A segurança de uma prova foi violada, portanto, imaginem o que pode ser feito com os milhares de atletas de inúmeros países.

Um recente acontecimento que mexe com outro ponto de extrema importância para a efetuação de tais eventos, demonstrou as condições dos transportes cariocas. O Rio, como outras grandes cidades brasileiras, tem grandes defeitos nesse aspecto, tanto que centenas de pessoas ficaram sem condições de trabalhar na baixada fluminense, como constatou a Folha de S. Paulo do dia 8 de outubro. As conseqüências disso foram à destruição dos estabelecimentos do metrô.

Logo, a festa poderá ser linda (como deverá ser), mas ainda podemos nos deparar com novos alvoroços políticos de corrupção, de violência, entre outros. Porém, depois de saber que o Estado brasileiro tem tanto dinheiro para investir em um acontecimento esportivo, podemos cobrar e nos perguntar em relação ao pouco caso governamental com a saúde e a educação.

O que me incomoda é isso; penso que a execução de tais eventos são investimentos supérfluos. Não teria essa posição se outras áreas estivessem passando por uma reforma, ou até em construção, visando uma melhor base em diversos sentidos para a grande maioria. Contudo, torço para que esses eventos sirvam de lazer para uma cidade, como a maioria da nação, carente de momentos públicos prazerosos.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A Utopia

Antes de tudo, me considero muito utópico. Para que e como viver sem as utopias? O mundo sem elas faz com que fiquemos no absoluto conformismo, que aceitemos tudo, nos tornando niilistas. Elas são as maiores fontes de críticas, que como conseqüência, exigem a renovação de todo e qualquer pensamento.

Realmente, muitas das experiências socialistas foram falhas, mas serviram para que os filósofos, diferentemente do dito por Marx, continuem pensando o mundo, como foi proposto por Theodor Adorno. Logo, a prática possibilita um aperfeiçoamento da teoria, para que os equívocos sejam explicados e futuramente não se repitam.

Hoje em dia, entendemos alguns dos motivos para tais revoluções socialistas não terem sido o esperado. Primeiramente, o homem socialista, na maior parte do tempo e dos casos, não foi criado. Portanto, idealizaram um regime que preza a solidariedade, ou seja, fraternidade, igualdade e até a liberdade com uma mentalidade capitalista, de competição. Sito esses valores, porque eles não são restritos aos burgueses. Passaram a ser valores ocidentais, inclusive, da esquerda em si.

Talvez, os governos socialistas não nos deixaram muito esperançosos, mas ela, teoria, faz-me crer muito nesse ideal. Enquanto muitos, por outro lado, defendem uma que teoria que nela, já está à desigualdade, como a liberal.

Curioso é observar, escritos liberais que ousam falar em liberdade. O que considero, neste caso, um bem muito restrito e particular, com o caráter pequeno burguês. Como nosso professor de história disse, defender essa liberdade, proposta pelo liberalismo, inclusive a de mercado, é, simplesmente, defender um privilégio. Quantos são aqueles que podem colocar seus filhos em uma escolar particular? Bom, para estes, realmente, a liberdade burguesa existe, pois possuem um grande leque de opções. Já que, ela se resume ao quanto de dinheiro que você tem no bolso.

A liberdade, no entanto, deve ser pensada de modo coletivo. Agnes Heller, primeiramente, acredita que esse sistema alienante cria estereótipos, preconceitos, devido ao seu cotidiano pragmático, direcionado para o consumo. Portanto, nossas ações são pautadas por valores que liquidam nossa liberdade, que deveria ser baseada na reflexão, ou seja, uma ação ativa e não passiva.

Além disso, a liberdade não é ago quantitativo, de quantas pessoas são livres, mas sim, qualitativo, se nossa sociedade, por exemplo, é ou não livre. Nossas ações cotidianas estão tão relacionadas aos outros que não teria condições de escrever esse texto, sem o trabalhador que o produziu em determinada indústria e sem as conversas com o companheiro Vitor Quarenta. Deste modo, a falta de liberdade de um, fará com que todos não a tenham. Será que o filho de um determinado burguês, no gera, é livre a ponto de ir a uma favela? Além de poder ter seus preconceitos, o que não é ago necessário, ele não faz parte de determinados contratos sociais que lá, podem existir devido, também, a falta de liberdade.

Porém, nem é isso que mais me incomoda. O problema é atacarem a ideologia marxista criada, muitas vezes pelos próprios governos de esquerda por meio da sua arte, como se fosse à teoria. Vamos deixar bem claro que não existe essa de igualdade plena, de todos iguais a todos. Uma das bases de Marx, Espinosa, acredita que todos somos singularidades, que recebemos de modos diferentes os afetos exteriores a nós. Se todos nós somos diferentes, por que tratar todos de modo igual? Para isso ser realmente uma igualdade, todos nós deveríamos ter o direito e a chance de ter suas diferentes necessidades supridas, igualmente.

Enquanto a outra base de Marx e Engels, Hegel, refuta a idéia de que somos naturais, como também faz aquele nosso professor de história. Temos muito pouco de natural. A alimentação, hoje em dia, por exemplo, não tem apenas uma função de nos alimentar. Não deveríamos ter o medo de morrer de fome, tanto que não saímos de casa para caçar, e muito menos aceitamos comer tudo o que achamos. Ela passou a ter um papel muito distinto; o de ser algo prazeroso. Nela são transmitidos valores. O sentimento de liberdade ao beber uma coca-cola e lembrar-se das suas propagandas, onde até os ursos bebem-na e se jogam de cachoeiras de uma maneira magnífica. Logo, podemos concordar e entender a tese hegeliana de que a cultura é a negação da natureza. Deixamos de ser naturais, na medida em que os objetos naturais não nos satisfazem, ou seja, quando passamos a produzir e nos relacionar, para melhor nos relacionarmos.

O homem, então, em suas comunidades, se torna um ser da práxis, ou seja, passa a ter uma relação direta com a natureza e com outros homens com um propósito bem definido, de melhorar suas condições de vida. O problema, como no exemplo da alimentação, aparece na distribuição de renda e de alimentação, e não a falta dela.

O sistema proposto por Adam Smith é, sem dúvidas, alienante, com uma grande divisão social do trabalho. O mercado, criado por ele, passa a ter vida própria e, na maioria dos casos, agir contra nós. A teoria criada por Marx tenta liquidar isso.

E para aqueles que julgam os regimes socialistas como assassinos, proponho que tentem ver o quanto a GM, ou outras forças capitalistas, matam por ano. Sem querer defender a morte de muitos por estes regimes, o que está totalmente errado, mas como um professor disse; agora o de geografia, o que mais mata ao ano, de modo disparado, são os acidentes de trânsito.

A minha escolha foi essa, lutar por um mundo melhor por meio da teoria socialista, que preza pela fraternidade, ao invés de cruzar os braços e aceitar a enorme exclusão social. Duro é ver que mesmo quando o socialismo chega ao poder de modo democrático, as forças internacionais atacam o palácio do governo, e deixam morto seu presidente, como o que aconteceu com Salvador Allende.

domingo, 18 de outubro de 2009

viol(ci)ência ?!

A violência praticada dentro do ambiente escolar vêm sendo cada vez mais comum e, infelizmente, trazendo malefícios que podem se tornar irreversíveis a nossa geração e sociedade. Cada vez mais e de diferentes formas, a violência vem sendo “aceita”, tornando-se comum e tolerante. Mesmo em países desenvolvidos, a violência vem sendo cada vez mais praticada nas escolas e universidades. A geração cada vez mais abriga e educa jovens que desrespeitam a si mesmos e aos outros, sem ter a mínima noção do que fazem. Em uma sociedade como a nossa, os jovens se vêem cada vez mais no dilema da responsabilidade/diversão e, ainda por cima, vinculando esta diversão a agressões e desrespeitos ao próximo.
As notícias que se estampam quase todos os dias nos jornais, não impressionam mais. Casos de agressões graves dentro do ambiente escolar, como o caso da estudante que foi espancada na porta da escola em Brasília, no dia primeiro de outubro, não chamam mais a atenção. E os professores, que já sofrem com salários péssimos, pressão psicológica de todos os lados, ainda sofrem com o medo da violência, que aumenta a cada dia. Assassinatos a professores em portas de escola, principalmente no interior do pais, não assustam mais a sociedade como deveriam e as pessoas não pensam o quanto isso pode prejudicar a nossa sociedade e o futuro.
Mesmo com o problema se alastrando pelo mundo, a sociedade não parece dar importância ao fato. No Brasil, por exemplo, este problema nem está entre as prioridades das políticas educacionais. Cabe a órgãos como o MEC e a Unesco a ação; porém estima-se torno de 200 mil estabelecimentos que contenham uma política oficial contra a violência. É verdade que nas escolas de elite brasileiras, o problema é bem menor do que em escolas de elite americana, por exemplo. Mas não podemos “amansar” este problema, visto que a “violência indireta” acontece aos montes em qualquer tipo de escola. O chamado “bulling” – aquele nome ridículo para uma coisa mais ridícula ainda – vem se tornando uma situação cotidiana dentro das salas de aula, de qualquer classe social. E é assim que vemos como a nova geração saberá se portar com os problemas da sociedade. Os jovens, cada vez mais acomodados em sua situação, seja ela qual for, cada vez mais preguiçosos e preocupados com sua própria vida, ou são completamente excluídos do mundo adulto, sem saber lidar com seus problemas tanto pessoais, quanto profissionais, ou se inserem tão rapidamente ao mundo adulto que não se disponibilizam a criticar e agir contra o sistema que se inserem.
Existem lacunas imensas na educação do jovem, tornando-o cada vez mais “livre” e descompromissado. Estas lacunas, sem dúvida nenhuma repercutirão em uma nova geração preocupante. A acomodação do jovem em sua situação é cada vez mais difícil de lidar. Nada lhe incomoda visivelmente, não há nada que o motive, o perturbe. Está claro que a educação não se restringe a escola (ao contrario do que muito pai, infelizmente, pensa), porém tornar o ambiente viável para uma educação decente, com certeza contribuirá para a formação de uma sociedade critica e capaz de realmente mudar alguma coisa.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Encaminhamento dos Poderes

Em todas as sociedades humanas existem pessoas que agem segundo as leis e normas, reconhecidas como legais do ponto de vista constitucional. No entanto, também existem pessoas que não conhecem e desrespeitam esse conjunto estabelecido de leis e normas para um “benefício pessoal”. No crime de corrupção política, os criminosos, ao invés de assassinatos, roubos e furtos, utilizam posições de poder estabelecidas no governo da sociedade para vantagem deles próprios, ou seja, contra a sociedade, contra a maioria! Usam da responsabilidade de cada poder para lucrar e não mais para realizar sua verdadeira função, de regular e manter a ordem socioeconômica (é o caso Brasil).

A corrupção é um exemplo clássico de que a teoria é totalmente diferente da prática. Montesquieu criou um sistema quase perfeito de organização e manutenção da sociedade (fundamentada nos três poderes). O Brasil adotou este modelo, mas desde os tempos das oligarquias, notamos desvio de verbas, defesa de interesses de minorias, sonegação, controle de votos e muito mais... Não é um caso isolado aqui e outro ali não, todos os dias jornais, revistas, rádios, noticiários e o que seja, fazem referências a escândalos na política (valeu Datena). As leis penais brasileiras são suficientes para combater a corrupção, o problema é que destruíram gradativamente a autonomia dos poderes, a criação, execução e a justiça estão comprometidas! Acredito que existam muitas pessoas honestas em nosso país, a questão é que essas passam despercebidas perante a tamanha falta de respeito dos individualistas e corruptos “a falta de valores humanos estão exterminando os valores éticos brasileiros” e denegrindo a imagem do nosso país no cenário mundial (se vira Amorim).

“Contra fatos não há argumentos”.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A Utopia Socialista

O primeiro motivo que encontro para o fracasso da utopia igualitária socialista é esse; o socialismo é uma utopia. Somos diferentes por natureza, e não há como negar isso; cada célula de cada indivíduo carrega uma carga genética diferente. Além disso, as experiências de um não podem ser iguais as de outro; sendo assim, além de diferentes por natureza, sofremos, cada um, criações diversas. Por favor, não entenda isso como uma critica à república também; muito pelo contrário, irei ressaltá-la.

Uma república não tem a obrigação de tornar todos os homens iguais; não em todos os aspectos. Perante seus poderes, eles são; mas estes poderes não sufocam o povo, deixando que cada um trilhe seu próprio caminho; como uma mãe que cria seus filhos amando a todos e depois deixa com que saiam de casa; um para ser médico, outro professor, talvez algum jornalista... Já o socialismo; esse obriga a todos serem iguais e uma república não da conta disso, por isso instala-se um governo autoritário. O governo autoritário, por sua vez, é uma mãe super protetora, acompanhada de uma pai linha dura; além de não poder sair para brincar, a criança apanha se desobedecer às regras. E o que essa criança faz? Foge para rua assim que os pais viram as costas.

Vou explicar melhor a imagem que usei agora. Se a criança for impedida de brincar, ela tentará driblar isso de alguma maneira, e de tanto correr daqui para lá, ela passa pelo seu adversário. O mesmo ocorre no socialismo; o único modo de tornar os homens iguais é implantando o regime autoritário, mas os muros que este coloca em volta do povo ruirão algum dia, pois, como diria meu professor de história, o bom líder deve ser temido, sim; mas também deve ser amado.

Esse é o primeiro motivo que vejo para a derrota do socialismo, como também o principal, mais que isso, o único; sua sociedade não é moldada conforme suas necessidades, mas sim segundo regras rígidas e sólidas. Além disso, lembremos que somos todos homens, feitos de carne e osso e provadores do fruto proibido; o ideal socialista é belo, justo, digno de lutas, e até mesmo batalhas, para os mais extremistas, guerras; mas nós não somos dignos dele. O poder sobe à cabeça dos homens e os que ficam encarregados de governar acabam criando uma pequena elite ao seu redor.

Dessa forma, a única maneira de um governo socialista se manter e sustentar é se todos os seus integrantes, dirigentes e dirigidos, civis e militares, camponeses e cidadãos, pensem coletivamente e defendam a ideologia socialista à própria morte, fome, ganância e instinto; se algum destes se corromper, perde-se a essência socialista. Francamente, chega quase a ser irônico imaginar isso fora de um belo quadro.

Não dizemos que tal piada foi “forçada”, por isso não tem graça? Bom, acho que o mesmo acontece com o socialismo; enquanto o Estado tem que se preocupar em apertar aqui ou ali, modelar cá ou lá e forçar um pouquinho nas pontas para a coisa toda não explodir, a economia dos países liberais corre livre e solta; ao invés de tentar reverter o rio, as nações capitalistas simplesmente deixam seu fluir natural e desimpedido. Vamos concordar, desse jeito fica bem mais fácil.

domingo, 11 de outubro de 2009

Um Verdadeiro Demo

Um bom modo de analisar um governo é saber onde e como ele está investindo o dinheiro público. Penso que um governo que esteja representando sua população, deva investir em áreas fundamentais, como a saúde e a educação.

São a esses fatores que irei me apegar para fazer uma breve análise da direção de Kassab. A intenção da sua gestão, ainda no mês passado (Setembro), era de cortar cerca de 20% do investimento oferecido as empresas terceirizadas responsáveis pela limpeza da cidade. Ou seja, além do corte de gastos conseqüentes da contratação de uma empresa terceirizada para a efetuação do serviço, já que, deixa de ser de responsabilidade direta do Estado à preservação das diversas relações trabalhistas, condições de emprego e deixa, até certo ponto, de ter que negociar com os sindicatos, nosso governante queria diminuir as verbas direcionadas para essa ação tão fundamental para o cotidiano de uma grande cidade.

Contudo, foram esses mesmo sindicatos que, impediram que esse absurdo acontecesse. Com a paralisação de aproximadamente 20% da categoria, segundo o Selurb(sindicato nacional das empresas de limpeza urbana), o governo Kassab recuou em relação à efetuação de tais medidas. Já que, o próprio Selur afirma que esses gastos que são, aparentemente, de 20% entre o governo e as empresas, chega aos trabalhadores como se fossem de 40%.

Voltando ao foco, é bom deixar bem claro que, considero o serviço de limpeza como uma parte da saúde, pois essa atividade feita corretamente diminuirá e muito o número de doenças relacionadas à concentração de lixo, ou a falta de saneamento básico.

A virada cultural, também, sofreu muito. A edição do ano passado (2008) foi muito melhor organizada, com um número extremamente maior de policiais, garantindo, bem ou mal, a segurança, além de ter tido eventos, no geral, infinitamente melhores do que a deste ano, época na qual não há eleição. Portanto, na lógica governamental, não necessita ser formidável.

Se somarmos isso aos projetos apresentados no ano passado, pelo próprio Kassab contra seus adversários na busca da prefeitura da cidade de São Paulo, o atual prefeito, em poucos, ou até em nenhum momento demonstrou um projeto que visasse à melhoria da qualidade do ensino nas escolas públicas. As modificações seriam feitas em torno do material de construção da escola. A ex-prefeita, Marta Suplicy, era acusada de fazer escolas de “latão”. Inacreditávell, mas sua campanha educacional se baseou nesse dilema.

Realmente, não considero que o material com que a escola é feito, modifica de maneira tão contundente a qualidade do ensino, mesmo tendo sua relevância. Todavia, é muito estranho, um prefeito apresentar um projeto educacional baseado no espaço físico das escolas e não no conteúdo que será transmitido.

O mais recente escândalo foi exposto no dia 6/10 na Folha de S. Paulo. O artigo diz que Kassab planeja investir cerca de 105 milhões de reais em publicidade no ano das eleições. Ou seja, mais do que para a reforma de corredores de ônibus. Porém, o que mais chama atenção é que esse valor é superior ao que se pretende gastar na ampliação, reforma e construção de CÉUS e escolas de ensino fundamental. Será simplesmente o recorde gasto com publicidade na cidade. Mesmo há pouco tempo o prefeito tendo congelado muito dinheiro público, devido à crise financeira, para diversas áreas, Kassab não deixou de investir em publicidade.

Isso sem contar, no recente escândalo das merendas escolares, que visivelmente se apresentavam péssimas qualitativamente. Todos esses fatores demonstrados, já nos possibilitam criar uma idéia sobre a gestão de um Democrata, que mantêm a educação e a saúde precárias. Campos que interferem de maneira direta na população, onde governos que dizem se preocupar com as classes menos favorecidas deveriam investir financeiramente, e/ou por meio de novos projetos.

Logo, o partido democrata (DEM), de Gilberto Kassab, utiliza de um nome que deveria representar o interesse da maioria, sem desconsiderar a minoria, é claro, como alguns dos fatos citado acima explicitam, com o intuito de permanecer no poder. Fica nítido que ações para o interesse da maioria estão longe de acontecer.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Mera coincidência?

Sendo a maior potência econômica e de maior influência geopolítica no âmbito global, os Estados Unidos fazem com que seu discurso seja sempre amplamente difundido.

Já no pós-Primeira-Guerra-Mundial, quando viu sua economia emergir, devido à ausência da concorrência produtiva européia, o discurso estadunidense resplandecia de idéias favoráveis ao liberalismo econômico. Enquanto a economia crescia na década de 1910, o presidente dos Estados Unidos, na época o democrata Woodrow Wilson, adaptou seu discurso, ao ser prevenido por seus assessores que tal prosperidade iria entrar em colapso, de modo a propor uma regulação econômica, que diminuiria os lucros, mas preveniria o país de uma crise de super-produção.

É de conhecimento geral que ele não foi ouvido: a década de 20 foi predominantemente governada pelos republicanos de discurso liberal e foi uma literal "festa-do-caqui". Mas a Crise de 29 se sucedeu e foi a maior crise de toda a história do capitalismo moderno, em escalas de expansividade e gravidade.

Essa crise moldou mais uma vez a política, tanto interna como externa, do país: o partido republicano, representando a burguesia nacional, na figura do presidente Herbert Hoover, ficou paralisado, e para sustentar seus ideais liberais propunha que deixasse que o mercado se auto-regulasse. E isso durou três anos, de 29 à 32, quando houve eleições.

Por ter proposto como plano, plano nenhum, Hoover perdeu drasticamente as eleições de 32 para o conhecido 32º presidente dos EUA, Franklin Delano Roosevelt, um democrata, que vinha propondo mudanças.

Essa sucessão, de um discurso antigo por outro que promete novos paradigmas é exatamente a que aconteceu recentemente, mais uma vez nos Estados Unidos.

Como se não bastasse, foi novamente o discurso do Partido Republicano que faliu, e o Democrata que apareceu prometendo mudanças. Obama, "Yes, We Can", e todo o pressentimento, internacionalmente propagado, de que agora os Estados Unidos vai mudar.

Conta com grande apoio internacional, mas não com tão grande prestígio dentro de seu próprio país. Inclusive, um dos fatores que aumenta sua impopularidade nos próprios EUA é a estatização que seu governo apóia, do sistema de saúde, que custará aos cofres da receita mais de 1 trilhão de dólares. Essa atitude faz com que Obama seja inclusive taxado de comunista por alguns opositores de seu próprio país.

Barack Obama trouxe na última quarta feira, no seu discurso à Assembléia Geral da ONU quais seriam as mudanças pelas quais o seu governo, representando a nação estadunidense, apoiaria

O país que até hoje conquista, através de guerras ou de influência cultural, praticamente o mundo inteiro, através do processo que é chamado de globalização, têm no início de seu discurso :" Nenhuma nação pode ou deve tentar dominar outra nação".

É dito isso, frente à conclusão que "Nenhuma ordem mundial que eleve uma nação ou grupo sobre outra vai ser bem sucedida". Essa frase explica por que o mundo apóia o que Obama defende em tese, mas seu próprio país não. Não é fácil conciliar aos mais ferrenhos defensores da Liberdade, que o valor da Igualdade tem igual peso, pelo menos na conjuntura geopolítica atual.

Faz com que os estadunidenses se remetam ao Comunismo, que é ensinado como sendo um sistema de produção maldito nas escolas públicas de todo o sistema de ensino dos EUA desde o começo do século XX.

. A atual estratégia geopolítica dos Estados Unidos vai muito além das características típicas da chamada política do "Good Neighbor" de Delano Roosevelt e Harry Truman nas décadas de 30 e 40, ultrapassa as barreiras continentais e tenta abranger um nível global, demonstrando através de seus discursos, como o de Obama no Cairo em Junho desse ano. Os Estados Unidos não mantém todos as suas posturas, como a de defender Israel independente das ações do país, mas algumas outras não mudam, ao referir-se no discurso de quarta-feira à Ahmadinejad e à pretensão iraniana de enriquecer urânio.

Não é mera coincidência que foram as propostas intervencionistas de Keynes que guiaram o New Deal de Delano Roosevelt, que se desviavam da predominante ideologia liberal, as que foram aprovadas pelos Estados Unidos na década de 30. E nem que hoje é o discurso de Obama o que recebe aplausos homogêneos na platéia da Assembléia Geral da ONU. Mas tantas mudanças, com o objetivo esclarecido por Obama : " ...minha responsabilidade é agir em interesse de minha nação e de meu povo". Mas não deixa de aliviar com " É minha crença profunda de que, este ano mais do que qualquer outro da história, os interesses das nações e das pessoas são compartilhados".

O que parece uma série de grandes mudanças no que diz respeito à política externa, soa dissonante ao conservador revezamento do poder entre apenas dois partidos políticos nos Estados Unidos. Em que medida se pode chamar de democracia uma manutenção tão regrada entre dois partidos que chegam ao poder? Desde 1789, apenas nove anos foram governados por partidos que não um dos dois: ou o democrata ou o Republicano.

Isso se deve à maneira como idéias e estratégias políticas são amplamente difundidas e acatadas pela sociedade dos EUA e depois de acatadas, dificilmente submetidas à segundas análises?

Se percebe, na análise da conjuntura econômica do país, que se pode responder à essa pergunta com um "sim": Somente em momentos de crise econômica, é que o país exportador do consumista "American Way of Life" se mostra disposto a apoiar idéias novas. E idéias novas, mas de partidos tradicionais. Não é de se indagar o quão conservadoras são as mudanças por lá?

sábado, 3 de outubro de 2009

A Luta de Classes

Por mais que muitos intelectuais da esquerda entendam que a sociedade de hoje é muito mais complexa que a de Marx e que, portanto, não pode ser apenas dividida por proletariados e burgueses, a luta de classes ainda existe. Recentemente, vimos que diversas categorias estão lutando e reivindicando seus direitos trabalhistas, como os bancários, os metalúrgicos, os funcionários terceirizados responsáveis pela limpeza e os empregados dos Correios.

Os bancários pararam cerca de 264 locais de trabalho com a adesão de aproximadamente 16 mil pessoas, segundo seu sindicato, atrelado a CUT(Central Única do Trabalhador). Os bancários se reuniram na quarta-feira e por unanimidade das aproximadamente 2 mil pessoas que compareceram a reunião, decidiu-se entrar em greve por tempo indeterminado por não concordar com o reajuste proposto pela federação dos bancos (FENABAN), que gira em torno de 4%. A modificação que seria importa também reduziria a PLR (participação nos lucros e resultados), além de não garantir melhores condições de trabalho para a categoria. As exigências dos trabalhadores são de que haja um reajuste salarial de 10%, aumento na PLR, proteção ao emprego e melhores condições de trabalho. O movimento parece estar tão organizado que, cerca de mil pessoas compareceram a passeata em nome da paralisação proposta pelo sindicato na sexta feira (25/09), na Avenida Paulista.

Além disso, segundo o Globo, no dia 21 de Setembro, os trabalhadores responsáveis pela limpeza da cidade entraram em greve. Estariam reivindicando a demissão de 1.868 garis pelas empresas do setor (568 já demitidos e outros 1.300 que seriam). Isso se agravaria, principalmente, com o corte de investimentos que era de interesse da gestão Kassab de aproximadamente 20% para as empresas responsáveis pela terceirização. Contudo, segundo o sindicato responsável pela categoria, Selur, por mais que os cortes girassem em torno de 20%, da prefeitura para as empresas terceirizadas, os reflexos nas empresas e, portanto, nos trabalhadores, estaria por volta de 40%. A greve, então, só seria suspensa se as empresas prometessem recontratar os demitidos e garantissem que não demitiriam mais. Porém, depois da paralisação do 21 de setembro, de aproximadamente 20% da categoria, o governo Kassab voltou atrás nos cortes de investimento as empresas, amenizando a situação.

Enquanto isso, os metalúrgicos, que costumam formar uma classe muito combativa, entraram em greve na sexta feira, dia 18 de Setembro, segundo a Folha de S. Paulo por tempo indeterminado. Os funcionários da GM de São Caetano do Sul e de São José dos campos entraram em greve pedindo reajustes salariais. Segundo o sindicato, 1.800 veículos deixaram de ser produzidos nas duas regiões na sexta feira devido às interrupções. Os representantes da greve do ABC não aceitam um reajuste menor ao desenvolvimento obtido pelas empresas que, portanto, lhes concederia um aumento real de 2%, além dos 4,4% da inflação do período, mais abono correspondente a um terço do salário médio do grupo.

Engana-se quem pensa que as greves param nos metalúrgicos. A comissão central de greve dos Correios admiti que 80% dos funcionários aderiram ao movimento, enquanto a direção dos Correios acredita que apenas 20% dos trabalhadores aderiram a greve. As reivindicações são muito fortes, desde o dia 12 de Setembro, exigem um aumento que não acontece desde 1995. Gostariam de um acréscimo de 47% do salário, mais 3% por causa da inflação e um aumento linear que gira em torno de 200 reais, além da contratação de 25 mil funcionários, com a garantia de melhorias nas condições de serviço. No entanto, a empresa oferece um aumento de 13% e de 4% para os que ganham maiores salários.

As contradições do capitalismo fazem com que os interesses de uma classe se sobreponham as demais, ou seja, as menos favorecidas. O sistema fundado na grande desigualdade entre as classes faz com que aquelas que estejam mais organizadas no âmbito sindical, consigam certos privilégios.

Agora, é um absurdo pensar na facilidade que os representantes da nossa democracia têm para conseguir certos privilégios. Os deputados federais e Senadores da república, inspirados pelo aumento dos Procuradores e Integrantes do Judiciário e dos Juízes do STF de 5% num primeiro momento e de 3% para o começo do ano que vem, fazendo com que seus salários passem para algo em torno de 26 mil reais, querem uma ampliação salarial que variaria dos atuais 16 mil reais para os 24 mil. É bom deixar claro que apenas a bancada do Psol é contra tais reformas.

Por outro lado, a base da nossa economia, ou seja, a força de trabalho nacional se submete a situações que podem deixá-los sem seus respectivos empregos, sem considerar que dificilmente conseguem os aumentos pedidos inicialmente pela categoria. Tratamos, também, de salários muito reduzidos se comparados aos dos deputados federais. Dinheiro que trata, em alguns casos, da sobrevivência de muitos, enquanto, em Brasília, do luxo e da ganância da maioria.

Isso deixa claro que a luta de classes está mais do que viva. Mesmo que nos nossos tempos tenhamos relações muito mais complexas, nosso sistema econômico, social e polítoc promove tamanha desigualdade que certas instituições que conseguem criar a noção de classe, grupo, ou, simplesmente, do coletivo, viabiliza a luta por uma maior igualdade social.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Reeleição, só do lado direito...

Acredito que todos acompanham na mídia a situação que vive Honduras no momento. O presidente eleito Manuel Zelaya, que já vinha em exercício e que foi democraticamente eleito pela maioria dos votos do país foi deposto. Em seu lugar como presidente interino, ficou Micheletti, um dos seus “companheiros de partido”. Micheletti, tem o poder garantido pelas forças armadas e está suportando diariamente diferentes protestos públicos por parte daqueles que defendem a constituição, não necessariamente Zelaya.

A ruptura deu-se no momento em que Zelaya, vindo de um partido de direita, passou a defender mais os interesses populares, aproximando-se de uma linha governamental como à que Hugo Chavez e Evo Morales fazem na Venezuela e na Bolívia respectivamente. Da mesma forma que estes, entre outras medidas populares, ele aumentou o salário mínimo e vinha procurando meios para que pudesse se reeleger, ato que ainda não é legalizado em Honduras. Zelaya convocaria um plebiscito popular para saber se poderia executar essa reforma constitucional. Porém, antes disso, o congresso criou uma lei que impediria o presidente de tomar decisões sobre mudanças constitucionais, que estas mudanças deveriam partir apenas do congresso. Decidindo passar por cima do congresso hondurenho, Zelaya foi deposto e extraditado de cuecas de seu país, caracterizando um Golpe de Estado liderado pelas elites hondurenhas.

Desde que sofreu o golpe, Manuel Zelaya passou a percorrer os países latino-americanos em busca de apoio, com uma comitiva de aproximadamente 70 integrantes e mais a sua família. Manuel Zelaya passou por países como Argentina, Paraguai, México e de todos os países que o receberam, o Brasil foi o país que manteve o maior reconhecimento de Zelaya como presidente hondurenho. O Presidente Lula o recebeu com regalias de Chefe de Estado, com direito à reunião particular e tapete vermelho.

Agora, há duas semanas atrás, Zelaya voltou escondido a Honduras e foi abrigar-se na embaixada brasileira, com toda a sua comitiva. Sabendo que contava com o apoio do governo brasileiro, Manuel Zelaya está sob a proteção do Estado brasileiro em Honduras. O governo já assumiu o apoio ao presidente deposto e no momento assiste de fora as negociações entre os órgãos de apoio e o governo interino de Honduras. A OEA (Organização dos Estados Americanos) e a ONU (Organização das Nações Unidas) buscam achar uma forma de contornar pacífica e diplomaticamente a situação, contando com o apoio de países importante nas Américas, como Brasil e Estados Unidos.

Porém não venho aqui tentar identificar qual o lado certo ou errado, quem é o bem e quem é o mal nessa disputa. Venho dizer que não podemos pensar que o Brasil tem um papel apenas de observador nessa história hondurenha. Um país que é tão parecido com o Brasil, pois têm índices de desenvolvimento econômico e social que são bastante aproximados, vive uma situação política de crise e a meu ver essa situação nos faz pensar muito sobre o Brasil e sobre como a política mundial vem se desenvolvendo com o final da guerra fria.

O que pretendo destacar é como a reeleição pode ser vista em diferentes situações, já que este foi o maior motivo para que Manuel Zelaya sofresse o Golpe de Estado. No Brasil, o presidente Fernando Henrique também quis mudar a constituição brasileira, e conseguiu; de forma que um ano após ele fosse reeleito. Porém, o meio que ele utilizou para que pudesse se reeleger é, até hoje, um pouco desconhecido e controverso, motivo pelo qual deveríamos saber mais, porém com pouco destaque na mídia.

No mesmo momento que este embrolho vem se desenvolvendo em Honduras, o Presidente Colombiano, Álvaro Uribe, ficou mais próximo de seu terceiro mandato consecutivo. Reconhecido pelo seu combate contra o narcotráfico das FARC e agora recebendo o apoio dos Estados Unidos, nesta mesma batalha, e podendo até, ter em seu território uma base militar americana, para que o combate ao narcotráfico torne-se mais fácil (caso que também esteve na mídia alguns meses atrás). Porém, nenhum destes dois últimos casos, de FHC e Uribe, passaram pelo crivo das urnas populares, como queria fazer Zelaya. Não tendo passado pelas urnas, através de plebiscito, podem não representar realmente o que a população deseja, mas vale destacar que a mídia não faz essa crítica, hoje em dia, tampouco naquele tempo.

É um tanto quanto controverso dizer que Zelaya, Morales e Chavez são presidentes ditadores, ou que se colocam contra a tão intocável democracia defendida por todos estes órgãos que acima citei, já que se mantém no poder por seguidos mandatos. Se formos avaliar, tais presidentes têm, na sua maioria, o apoio popular em seus países e puderam reeleger-se depois de referendados pelas urnas. Porém, por defender mais o povo e em alguns momentos tomarem medidas bem mais próximas do socialismo não recebem o apoio dos países mais poderosos. Fazendo com que as suas reeleições sejam mal vistas e recebam tais críticas, já que representam certo perigo ao capitalismo e acabam ganhando essa conotação ditatorial que não é boa a ninguém.

Esta situação controversa nos demonstra apenas como os países mais importantes e mais desenvolvidos apóiam as reeleições. Não a veem como uma forma de demonstrar o que o povo quer, e sim como uma maneira de manter o controle sobre países de menor importância no cenário mundial. A meu ver, estes países poderosos e desenvolvidos comportam-se, nesta situação, com um pensamento assim: “Se este governo está alinhado ao meu modo de pensamento político e econômico, eu apóio a reeleição; se vai contra, mesmo que seja o que a população quer, eu me oponho.”. Demonstrando como os interesses destes nada têm a ver com a situação daquele ou deste país, tem a ver com as suas próprias intenções, na maioria dos casos aliadas aos interesses de uma elite rica e poderosa, que conta também com o apoio da mídia em seus países.