domingo, 30 de agosto de 2009

"Froot Loops"

De todos os adjetivos que podem classificar a vida; bela, dura, louca, longa, curta, besta; engraçada é o melhor. Outro dia estava no supermercado com minha mãe, passeando por aquele labirinto de prateleiras, quando me deparei com um caixa que não via há anos, a de “Froot Loops”. Imediatamente voltei no tempo. Lembrei de quando tinha cinco ou seis anos e ver aquele tucano era a coisa mais feliz que podia acontecer no café da manhã. De como eu enchia a xícara de sucrilhos até a boca e depois completava com leite. As colheradas imensas e as argolinhas que insistiam em cair da colher. Os gritos de reprovação da minha mãe. O açúcar no fundo. O gosto artificial de fruta. As lembrancinhas de plástico. Os joguinhos da caixa.

Logo em seguida lembrei dos outros dois bichos que viviam marcando território na mesa lá de casa, um elefante e um tigre. O primeiro era marrom e ficava estampado na caixa de “Choco Krisps”, já o segundo é famoso , garoto propaganda da “Kellog’s”, que eu ainda vejo nos comerciais de TV.


Sempre achei que era coisa de velho falar “Ah, nos meus tempos...”, mas bateu uma puta saudade daquilo tudo. Não só do café da manhã, não, mas do almoço, jantar e lanchinho da tarde, isso sem falar em todos os assaltos ao armário. Até da natação, que eu odiava e só fazia sob ameaça de castigos. Ia chutando, esperneando, fazendo birra, tudo para não ter que colocar uma sunga e pular na água, o que, ironicamente, agora faço de livre e espontânea vontade.


Certo, um cereal que cause tamanho impacto em mim merece ser comprado. Peguei a caixa e, para não ouvir nada a respeito de minha mãe sobre como aquilo é uma porcaria, a coloquei discretamente no carrinho, cheio, por sinal, mesmo que só tivéssemos parado lá para comprar pão e leite.


Porcaria, ora essa. “Froot Loops” pode ser tudo, menos porcaria. Mas isso não vem ao caso, minha mãe só veio ver o sucrilhos aqui em casa, quando lotei uma xícara até a boca, completei com leite, dei uma colherada monstruosa que fez metade do cereal cair no caminho, senti aquele gostinho de fruta artificial e, agora sim, tive que ouvir dona Cláudia dizendo: “Quem foi que comprou essa porcaria?!”

6 comentários:

  1. é engraçado ver como as marcas das coisas ficam na nossa cabeça né. um cereal ou chocolate que lembra a infância e a gente compra de novo na tentativa de tentar reviver um momento...
    acho que a gente passa a vida toda tentando voltar no tempo, entre outras coisas.

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  2. hahahahahaha, lima lima
    o tigre da kellogs nnao é um "garoto" propaganda,é?
    sabe o que é pior? eu penso que a gente só faz isso por que também sente saudade do tempo em que nossa mãe dava esporro por causa de um sucrilhos e não de um pt. =P
    beijos

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  3. é, ligamos muito nossa memória aos sentidos... tem quem sentindo um gosto volte muito forte nas memórias, quem sente cheiro de certas lembranças, eu quando vejo algo que não via a muito tempo, meu cérebro reativa totalmente aquelas recordações, e revivo o momento.
    Vejo que a gente não só tente voltar no tempo, mas acho que voltar no tempo faz parte da vida, por que é isso que compõe tudo ligado à nossa identidade, à nossa educação, aprendizado, valores, e etc. Somos uma puta máquina do tempo, e cada um tem seus combustíveis.
    O seu deve engatar bem com corante e açúcar. hahaha

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  4. Froot Loops addicted5 de outubro de 2009 16:00

    só preciso dize que achei o texto do caralho.. dei altas risadas, de fato minha infância veio num flash;
    mto obrigada por essa pílula de diversão diária

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  5. Caramba!!! não conseguia encontrar essa delicia e liguei na Kellogs p saber onde poderia encontra-lo,mas vcs nem imaginam o q aconteceu... Esse sucrilhos Froot Loops não existe mais AHHHHHHHHHHHHHHHHHHH.. eu amo. A resposta foi:
    "Minha senhora, este sucrilhos está em falta no país todo por não estarmos mais fabricando o mesmo"...

    iHHH

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