quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Para não dizer que não falei de... futebol

Outro dia, estávamos eu, meu pai, minha mãe e o amigo do meu pai no bar ao lado do Maracanã indo assistir a mais um esperado jogo do fluminense. Haviam muitas pessoas, tricolores todos, conversando sobre o esquema tático do time, falando mal do adversário, cantando e bebendo. Não me lembro direito o porquê, mas entramos no assunto da Lei Pelé e Lei Zico. Nunca tinha ouvido falar em nada parecido, perguntei ao meu pai o que era, porém não tive muito êxito, já que ele estava preocupado em falar mal do Mariano, jogador do Fluminense.

No dia seguinte o meu professor de matemática citou a mesma lei e depois que li os textos dos meninos aqui no blog, resolvi pesquisar. Afinal, estas leis são o exemplo clássico de envolvimento entre a política e o futebol e pesquisando eu poderia perceber claramente o quanto a política interfere e como mudou o futebol ao longo dos anos. Tenho certeza que essas duas leis ajudaram, e muito, a tornar o futebol um “business”, como antes citado.

Considero inevitável que o a política e o Direito interfiram no futebol pois a partir do momento que interfere na economia do país e principalmente envolve pessoas (nas quais o Estado deve prezar por sua saúde e bem-estar, fazendo com que não sofram preconceitos, agressões físicas e etc.), o Estado deve manter uma organização e manter as coisas sob seu controle. Porém, devemos lembrar que o esporte, como um todo, tem suas próprias regulamentações, nas quais o Estado não deve (ou não deveria) interferir, sabendo distinguir no que pode intervir, respeitando as singularidades do esporte. A partir daí, podemos perceber o quanto a “Lei Pelé” é carregada de injustiças e incoerências.

A primeira interferência da política no futebol foi em 1941, com João Lyra Filho, em pleno governo de Getúlio Vargas. João criou o Decreto-Lei 3.199 que colocava normas gerais, sem muitas especificações. O problema é que a partir daí, cada vez mais foram sendo criadas leis, onde umas eram controversas a outras. O que trouxe imparcialidade e falta de transparência nas leis que se regem. Em 1993, foi criada a “Lei Zico” pelo Secretário de Esportes Artur Antunes Coimbra, no governo de Itamar Franco. Um pouco mais tarde, no governo FHC, foi criada pelo Ministro Extraordinário dos Esportes Edson Arantes do Nascimento (reconhecem este nome? Pois é. Futebol e política claramente “unidos”) a “Lei Pelé” que praticamente repetia a “Lei Zico”, porém com algumas modificações. Não entrarei em muitas especificações sobre os Artigos da “Lei Pelé”, mas vale dizer que muitos deles desrespeitam claramente a Artigos da Carta Magna, o que é um tremendo erro judicial. Teoricamente a lei nunca deveria ter entrado em vigor, já que não está de acordo com anteriores e, portanto, pode ser considerada inconstitucional.

O maior problema é a questão do “Passe Livre” que entrou em vigor com esta lei (que é inconstitucional) e prejudica, e muito, o futebol e os campeonatos brasileiros. A lei prevê, basicamente, que o jogador pode ser vendido para o exterior sem que o time estrangeiro pague qualquer tipo de indenização ao clube – que “formou” o jogador em sua categoria de base - e o clube brasileiro que quiser comprar um jogador estrangeiro, terá que pagar diversas multas e indenizações. O que não faz o mínimo sentido e demonstra um imperialismo absurdo, uma exploração do Brasil. A lei previa fornecer autonomia aos jogadores, o que também não acontece em times de médio e pequeno porte, pois os clubes que não estiverem satisfeitos com o desempenho de um jogador podem simplesmente demiti-lo depois do campeonato, trazendo mais desemprego ao país.

Para concluir, a lei trouxe diversos problemas para o futebol brasileiro, acarretando na perda significativa de jogadores para o exterior e virando esta bagunça que é o futebol hoje em dia. Não preciso nem lembrar como ficou o torcedor nesta história, que vê seu time estruturar-se e desestruturar-se a cada campeonato, subindo e decaindo a cada ano. A adequação do calendário brasileiro ao do exterior creio que seja mais uma artimanha do Governo para maquilar um problema milhões de vezes maior. Para fazer o torcedor acreditar que algo está sendo feito para que o futebol brasileiro tenha seu devido valor. Não gosto de pensar que no Brasil as coisas funcionem deste jeito e que não há solução, mas creio que enquanto aceitarmos este tipo de lei, que não tem o menor sentido e desrespeita uma série de outras leis, estaremos, e o futebol também, à mercê desta política “podre”.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

A Hard Night's Day

Acordei com o sol batendo na minha cara. Por que será que meu pai não fechou a janela como ele costuma fazer? Queria dormir mais... Depois da noitada de ontem meu corpo implorava para ficar o dia inteiro na cama.

Virei de lado e coloquei o travesseiro no rosto. Ainda assim aquela claridade me incomodava, sem falar naquele barulho chato de trânsito...

Ei, espera aí! Como assim barulho de trânsito?! Minha rua é super sossegada, o que diabos teria acontecido?

Abri os olhos e levantei como quem acorda de um pesadelo. Caramba, péssima idéia! Devia ter ficado de olhos bem fechados... o quarto em que eu estava era completamente estranho.

A cama era imensa e muito mais macia que a minha. As paredes estavam todas com aqueles papéis de parede de péssimo gosto. Quase por inteiro, o chão era coberto por um carpete cinza, a não ser em um cantinho do quarto, onde este parecia ter sido arrancado a mão. Apenas a cama era diferente dos outros móveis, enquanto esta era de metal os outros eram todos móveis lindos, feitos de madeira nobre e estavam espalhados ao longo do quarto inteiro: do meu lado uma mesinha de cabeceira, na frente da cama uma estante repleta de aparelhos eletrônicos e DVD’s, no canto oposto ao do carpete rasgado um armário gigante e encostado em uma das paredes um baú.

A cama estava coberta por um edredom xadrez muito bonito. Assim fui seguindo os quadriculados para minha direita, até que meu olhar esbarrou em um corpo.

Caramba, o que é que eu fiz ontem?! Só me lembro de estar bebendo naquela festa, brindando com os amigos; depois disso estava acordando nesse quarto estranho com essa pessoa talvez mais estranha ainda ao meu lado.

Enquanto fui aproximando o rosto para ver quem era, fui odiando o que ia vendo. O braço era grosso e cabeludo, os ombros largos, o queixo grande com uma barba por fazer... enfim, um homem.

Imagina como eu me senti na hora. Eu sou espada! Gosto é de mulher! Mas era cedo demais para ter certeza. Talvez eu tivesse tomado algum alucinógeno na noite anterior e ainda estava sob efeito dele, quem sabe? Por isso levantei e andei em direção a uma porta aberta que dava para ver uma pia através do vão. Como tinha suspeitado, era um banheiro. Entrei nele e fechei a porta.

Liguei a torneira e lavei o rosto inúmeras vezes. Pena que não tinha espelho. Queria ver a minha cara... Depois dei alguns tapas nas bochechas e, mesmo já sabendo não estar sob efeito de droga nenhuma, saí do banheiro achando que quando eu abrisse a porta acordaria na minha velha e boa cama e daria graças a Deus que aquilo tudo não passava de um sonho. Adivinha só, eu saí do banheiro, mas não fui para o meu quarto, ainda estava naquele lugar estranho. Pior ainda, ou melhor, talvez, o cara estava acordado.

Fiquei esperando para ele virar e olhar para mim. Como é que eu ia chamar sua atenção? Falaria: “Ei, dormi contigo hoje. Tem como você explicar o que aconteceu”?

Ele demorou um pouco para virar, mas finalmente o fez. Como eu, sua expressão foi de pânico. Gritou furioso:

- Quem é você?! Como veio parar aqui?! É bom você não ter tocado em mim esta noite!

- Tomara que não!

- Como assim? Você não lembra?

- Queria que você me contasse o que aconteceu.

Abaixou o tom de voz e perguntou novamente:

- Quem é você?

- Vamos poupar os nomes.

- Certo. Mas e ontem? Será quê...?

- A minha bunda não ta doendo.

- É, nem a minha....

- Então ótimo, ficamos combinados que não aconteceu nada.

- Combinadíssimos.

- Bom, acho que o melhor agora é ir embora...

- É... Ei, você não vai contar isso a ninguém, vai?

- Claro que não...

Colocamos nossas roupas, já que dormimos de cueca, o que foi realmente constrangedor. Ele levou-me à porta e abriu-a. Era uma casa gigante, linda... ainda assim, senti-me ótimo ao sair de lá.

Quanto ao que falei para ele sobre não contar a ninguém... Bom, não preciso nem dizer que não cumpri com o trato. Desculpa, mas eu não podia perder uma história dessas.

sábado, 15 de agosto de 2009

Estreitas Relações

Se o futebol é o ópio do povo como dizem os professores de história do nosso país, não sei dizer, como disse na postagem anterior meu colega Pedro Mendonça. Se for só business, como disse Mario Gobbi, dirigente do Corinthians, não sei mais o que é futebol. Mas duas coisas nós não podemos negar, ele está caminhando cada vez mais para isso . A questão do business acho que não preciso comentar, anteriormente neste mesmo blog o Pedro Mendonça já deixou bem clara a sensação de um corinthiano, como eu. Resta-me então comentar o outro lado da situação, quais seriam as reais relações da política com o futebol no Brasil.

E para mim fica claro que este se torna cada vez mais um movimento de manobra dos políticos para poderem chegar ao poder e por lá se manter. As maiores decepções da nossa seleção estão sempre ligadas aos momentos mais conturbados da nossa história recente. Hilário Franco Júnior, em sua obra “A dança dos deuses”, descreve desta maneira a relação do futebol brasileiro com o povo: “As vitórias de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002 bem como as derrotas nos demais mundiais (sobretudo de 1950, 1978, 1982, 1998, 2006) comprovam aquele diagnóstico. O fato de o Brasil ser um país ‘desigual e combinado’, na expressão de José de Souza Martins, manifesta-se no futebol na esquizofrenia, abatimento/ euforia, idolatria/ perseguição, que marca as relações entre a seleção e a população, revelando que no fundo projetamos mais nos campo de futebol do que nos campos sociais.”

Fica claro como o uso do futebol esconde a situação que o país está ultrapassando, as vitórias da seleção vieram em momentos que novos governos se instalavam e em momentos que era necessária uma afirmação de que o futuro seria bom, o futebol surgia como uma ferramenta para difundia essa idéia na população. As decepções em momentos conturbados, econômica ou politicamente. Em 2006, por exemplo, no ano em que cometeram a ousadia de comparar uma seleção com a de 1970, vieram à tona uma seqüência de abusos no senado e no poder executivo. Neste mesmo ano de 1970, quando o Brasil encantou o mundo, nosso crescimento econômico era alto, chegando à casa dos 70% anuais, mesmo que isso criasse problemas depois, era uma situação boa para o país, onde o governo militar precisava continuar se afirmando.

Sabendo dessa projeção maior no campo de futebol do que nos campos sociais, como disse Hilário Franco Junior, os políticos e dirigentes transformam a massa torcedora em uma massa maleável que pode tomar qualquer caminho, dependendo da situação que a seleção, ou o seu time, atravessa no momento. Se a seleção perde um mundial é sempre culpa de um ou dois (dirigentes, jogadores) e estes são cassados e vistos com traidores. Aqueles que entram no seu lugar são vistos como salvadores da pátria, mesmo que não representem uma mudança na forma que as coisas são conduzidas (como na maioria dos casos).

Ou seja, a seleção brasileira sagrou-se campeã quando a situação era boa no Brasil. Demonstrando a forte ligação entre os dirigentes do esporte e os nossos governantes, não é à toa que ainda presenciamos figuras como Alberto Dualib e Mustafá Contursi. Dirigentes que dispensam apresentações e ainda estão soltos, com os inquéritos que os incriminam arquivados. Isso mostra como existe uma falta de respeito com o torcedor, aquele que mais se importa e se identifica com o futebol no Brasil.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O que há com o futebol brasileiro?

O que há com o futebol brasileiro? Será que ele ainda é o ópio do povo como dizia meu professor de história da oitava série, ou será que ele é apenas business. como disse Mario Gobbi, dirigente do Corinthians: “...É ignorar que o final do futebol não seja (sic) dar retorno financeiro ao clube, ao jogador que quer. Futebol nada mais é do que business ...”

Ele já pediu desculpa por isso, mas não consigo tirar de minha mente sua declaração. E o torcedor dos clubes, que pagam ingresso incessantemente, apóiam o time nas situações boas e ruins e muitas vezes quando começam a se encantar, a ser contagiado pelo futebol de um time que joga bola bonito, que está ganhando, vê a diretoria vender suas principais peças e desmontar times.

Deve ter alguma razão para ter uma média de mil jogadores por ano que deixam o Brasil para o exterior. Algo de errado deve ter. Quero deixar claro que o que se falou nas linhas acima se refere principalmente ao Corinthians, que hoje em dia é o exemplo mais claro disso. Com a venda de apenas três jogadores, que todos sabiam que eram as peças mais fundamentais do time campeão da Copa do Brasil, fez o time cair de produção e despencar na tabela do campeonato brasileiro.

Mas será que o futebol brasileiro virou essa decadência de promover jogadores para tentar vende-los posteriormente por um preço muito maior ao qual o clube o adquiriu? Eu vejo alguns exemplos ainda que me fazem ter alguma esperança. Este é o caso do São Paulo que ainda não vendeu nenhum de seus principais jogadores nesta janela e declarou que não pretende vender. É o caso do Palmeiras que fez um pacto com seu investidor de tentar segurar seus jogadores mesmo que cheguem propostas, que comprou todos os direitos federativos do jogador Pierre para não vende-lo.

Temos também a adequação do calendário Brasileiro ao calendário Europeu, de modo que os times não se desmontem no meio do campeonato.

Isto tudo é o que temos de melhor no futebol brasileiro, mas ainda é muito pouco. Ainda estamos no começo da janela de transferências. Ainda temos vinte dias de sofrimento pois todos sabem que se chegar uma proposta alta nos principais jogadores dos clubes, mesmo de São Paulo e Palmeiras, não será possível segura-los. Todos sabemos que a adequação do calendário brasileiro ao europeu é apenas para não desmontar os times no meio do campeonato, mas desmonta-los no final da temporada.

Porém, isso é só para o torcedor não criar muitas esperanças, e entrar no campeonato já desacreditado. Para alguns será bom, pois os pessimistas preferem a surpresa ao desapontamento.

Mesmo eu, que sempre fui otimista, hoje me pergunto, o que há com o futebol brasileiro?

De um desapontado torcedor do Corinthians
Mas antes de tudo fanático por futebol
Pedro Mendonça

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Consenso da Coerção

A história brasileira das décadas de 60 até 80 foram marcadas pela luta de uma juventude proveniente da classe média, principalmente, carioca e paulistana contra a ditadura militar e suas medidas autoritárias e coercitivas.

Entretanto, hoje em dia, na primeira década do século XXI, com a ditadura fazendo parte dos livros de história e aquela juventude como a atual terceira idade, vemos que o caminho contrário em relação aquela época está acontecendo. Enquanto muitos lutaram contra o fim de um sistema que impunha o modo como deveríamos viver, hoje em dia, em plena democracia, independentemente de ser boa ou ruim, estamos pedindo mais leis que regulamentem nossas vidas. Enquadramos-nos novamente no papel de cidadão, que na sociedade moderna é aquele que reclama pelos seus direitos, já que, a reclamação é vista como algo positivo.

A perda de poder da religião na sociedade é um dos motivos pelos quais Nietzsche denuncia a morte de Deus, pois na idade média, a religião era muito presente no cotidiano como marcadora do tempo e por estar atrelada a política. Todavia, isso começou a mudar com as denúncias de Hobbes, Maquiavel e Espinosa de que a religião tem que estar separada da política. Porém, vemos que a cultura ressentida, baseada neste Deus que agora está morto, que domestica o nosso corpo para atitudes com niilistas, faz com que, também, passemos a agir como massa. Logo, por agirmos assim, não nos tornamos seres ativos, que agem segundo seus interesses refletidos e sim, passivos, pois apenas recebemos ordens. Agimos como se Deus existisse, pois damos aos maiores ídolos da modernidade, Estado e ciência, o papel de controlador das nossas vidas. Portanto, a morte de Deus de nada bastou, porque nada se afirmou em seu lugar e, continuamos agindo segundo a moral cristã.

Não se age seguindo aquilo que é melhor para si mesmo, mesmo relevando que esse si mesmo, envolva uma noção de coletivo de que o bem-estar de que um indivíduo depende dos demais ao seu redor, pois dependemos dos outros para tudo. Só poderia, por exemplo, estar escrevendo este texto em meu computador, porque alguém em um lugar bem longe o fez, pois meu pai o comprou e, porque meus professores me ensinaram esses conteúdos que estou tentando transmitir. Agimos de maneira espontânea, pois não refletimos sobre essa moral ressentida. Sendo assim, estamos fazendo as coisas de maneira alienada dos nossos interesses, pois agir instintivamente é, apenas, reproduzir os valores praticados em nossa sociedade.

Essa apropriação da idéia de cidadão e dessa cultura negadora da vida faz com que as pessoas lutem e queiram leis que regulamentem suas vidas e que, como conseqüência, aumente o sentimento de culpa nos outros, pois o Estado e a ciência juntos, negando algo, fazem com que aqueles que atuem contrariamente a estes, estejam definitivamente errados. Tornamos-nos, então, servos das leis, pois temos nossas vidas impostas, sem possibilidades de criação. Isso sem considerar a mídia, que utiliza essa regulamentação como exemplo para todos, fazendo com que queiramos seguir isso.

Um bom e recente exemplo para isso pode ser a lei que proibirá o fumo em diversos locais fechados. O interessante seria que todos tivessem a consciência de que seu mal não precisa ser compartilhado com os outros que não tem nada a ver com ele. Por outro lado, não seria necessária uma lei para enquadrar cada vez mais nossa vida, dizendo o que podemos e não podemos fazer.

No entanto, isso está estritamente ligado a nossa educação. Penso que as pessoas só poderão refletir sobre essas questões quando tiverem contato com um ambiente que promova uma reflexão sobre a consciência do coletivo, de como a atitude de um indivíduo interfere nos demais ao seu redor, fazendo com que uma atitude individual que prejudique o outro de maneira proposital ou que tenha, simplesmente, a consciência do sujeito, tenha o caráter autoritário. Contudo, devo considerar que uma sociedade que preza tanto pelo individualismo e que atribui a ele um aspecto natural através de uma forte ideologia, dificulta e muito qualquer mudança educacional, porém, não a torna impossível.

Entretanto, a partir do dia 7 de Agosto, sexta-feira, não será permitido fumar em locais como condomínios, hotéis, motéis, locais de trabalho fechados, estádios, restaurantes e bares. Contudo, cada local citado acima tem suas exceções para o fumo.

Além de ser uma lei que vai regulamentar nossas vidas, essa medida trará consigo mesma ações preventivas de casas noturnas. Um dos motivos dessas ações preventivas são as multas para os locais que forem pegos ou denunciados com fumantes que, receberam indenizações que variam de 792,50 Reais até 30 dias de interdição. Não é a toa que além da própria lei, teremos que nos acostumar com o alto número de vigilantes observando o que fazemos atentamente em locais que terão o uso do fumo proibido, pois muitos locais contratarão a partir de sexta-feira, dia 7 de agosto de 2009, seguranças que fiscalizarão fumantes que tentem burlar essa lei como foi exposto na Folha de S. Paulo no dia 2, domingo, no caderno Cotidiano, no ano de 2009.

sábado, 8 de agosto de 2009

Manifesto à lingua

Neste mundo, tantas vezes banal e superficial, temos a linguagem. A linguagem, que não serve apenas para nos comunicarmos. A linguagem,que se junta com a forma,com a escrita, com o som, com o desenho, em uma arte abrangente e rica. Uma arte que pode utilizar de palavras corriqueiras para tocar e emocionar. Para simplesmente dizer. E ser ouvido. Que neste mundo em que todos dizem precisar de amor, por que não se fala em precisar de palavras? Palavras essas que descrevem outros tantos sentimentos sem nome, que descrevem tudo da forma mais humana e profunda que podem alcançar.

Que salve então, todos aqueles que descrevem e dizem tudo o que pensam, com palavras. Sem se importar com regras ou convenções. Que se expressam e se mostram, desvendem-se a si mesmos e aos outros da forma mais bela e coerente que podem. Salve Saramago! Salve Leminski! Salve Caio Fernando Abreu! Salve o poeta gentileza! Salve Guimarães! Aquele, que mostrou o Brasil da forma mais pura e clara. Que nos mostrou o Brasil. Que mostrou o Brasil até para quem não queria enxergar. Foi em seu ímpeto e tocou a todos, sem se importar com convenções. E todos o ouviram, e o entenderam. Tornou mais simples e humilde, algo que foi (e ainda é) considerado muito solene.

Que a arte de falar e ouvir, portanto, seja valorizada. . Que possamos nos tornar seres que não colocam dinheiro, matéria, capital à frente da expressão; à frente de nossa própria primitividade, a lingua. Que a tecnologia e o luxo não tomem o homem e sua capacidade de criar. Que o lixo não cubra aquilo que já foi escrito. Que o homem continue a evoluir a partir de sua capacidade de criar e se descobrir. Que os livros não se estinguam, que as ideias alheias sejam respeitadas. Que haja literatura e possibilidade de aprender para todo e qualquer ser humano. Que a literatura e a educação não seja elitizada e que seja, sim, motivo de festividades. Que a arte de ensinar seja mais valorizada do que qualquer máquina de construir. E que isso não seja uma utopia.

Que usemos, então, a nossa amada língua. Que nela seja feita a esperança. "A esperança de tudo saber", como já diria o poeta. Que nós saibamos que tudo conseguiremos com ela, que é ela que nos constrói, nos consome,nos faz quem somos. Somos o que somos, dizendo.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Um Brinde À Gripe Suína

“À gripe suína!” Ultimamente, essa é a frase que eu mais ouço depois de todos da mesa se servirem do primeiro copo de cerveja, pois como você deve saber, as volta às aulas foram adiadas em até quatorze dias em algumas escolas, o que outrora ouvi sob um termo impagável na televisão, “férias forçadas”.

Sinto muito por todas as mortes causadas pelo H1N1, eu mesmo fui vítima do vírus. Foi a pior noite que passei em toda minha vida, tive mais de 40ºC de febre, delírios, calafrios e etc. O curioso foi que, mesmo tendo asma, não senti falta de ar.

Mas minto, no meu caso a gripe A não foi confirmada. Pelo que entendi todos que vão gripados para o hospital estão com medo da nova gripe e, como o exame para detectá-la só é feito em três lugares no país inteiro e leva três dias para ficar pronto, a maioria apenas recebe aquelas malditas máscaras e alguma receita indicando ou um antiviral ou um antibiótico, caso já tenha virado uma pneumonia, que foi o meu caso.

Sei que não sou médico, também não pretendo ser e nunca pretendi, mas acho que essa epidemia e sua repercussão no mundo está sendo exagerada. Pelo que sei, pois ouvi de outros médicos, a gripe suína mata menos que as anteriores, às quais estamos tão acostumados, mas esse foi o primeiro inverno que vi pessoas usando máscaras aqui no Brasil pra evitarem contágio. Além disso, o médico que me receitou o antibiótico disse que, invariavelmente, um paciente gripado será medicado por um dos dois remédios que disse acima, de forma que não faz muita diferença se for a gripe A ou aquele velho resfriado.

Por outro lado, nunca uma doença me derrubou daquele jeito. O dia seguinte ao da febre, passei de cama. Recusava todo tipo de comida, e quem me conhece sabe que isso é bem raro. Talvez a nova gripe tenha mais facilidade do que as outras para virar uma pneumonia, o que é, realmente, um problema.

Mesmo assim, continuo com a impressão de que a atenção que a mídia está dando para esse surto é demasiada grande. As pessoas ficam muito preocupadas, ainda mais agora, no inverno, quando ficamos mais próximos uns dos outros e muita gente fica resfriada.