segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Doce Ilusão

Getúlio Vargas ficou para a história do Brasil como o “Pai dos pobres”. O ditador brasileiro recebeu tal status por ter sido o nosso primeiro governante a dar reais benefícios às classes sociais menos favorecidas. Essa bonita história esconde, porém, os interesses manipuladores de Vargas, a barbárie em que vivia a sociedade da época e vivemos e o título dado por um setor mais crítico da sociedade, tão merecido quanto o primeiro, de “Mãe dos ricos”.
Getúlio, assim como os outros governantes considerados populistas, tornou-se muito popular entre os trabalhadores devido aos privilégios que a eles concedeu. E, a partir dessa popularidade, Getúlio os manipulou. O ditador viveu num mundo onde o movimento trabalhista era forte em quase todos os países. Por meio dessas lutas, o proletariado passou a conquistar certas regalias. Contudo, para alcançá-las, era necessário ter uma excelente organização e pessoas com consciência de classe. O Brasil que iniciava a sua explosão industrial com Getúlio também passaria, em algum momento, por tal situação. Entretanto, na medida em que Vargas dá ao povo todos esses privilégios e reformula todos os sindicatos, tirando todos aqueles considerados subversivos, nosso proletariado se tornou pouco combativo.
Não é à toa que Getúlio também pode ser chamado de “Mãe dos ricos”. Além de usufruir da infra-estrutura criada pelo Estado getulista, o empresariado se acostumou a trabalhar, ou melhor, a explorar o seu empregado sem que ele pudesse se organizar e lutar por melhores condições. Afinal, mesmo tendo seus méritos, a CLT feita por Vargas é uma cópia das leis trabalhistas criadas pelo ditador italiano Mussolini, também preocupado em manipular o povo italiano, desenvolver a indústria e o seu projeto fascista. Outro fato que exibe o caráter manipulador de Getúlio e a sua preocupação com o empresariado é a sua contribuição na criação de dois partidos distintos que representam classes sociais antagônicas, o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), representante dos trabalhadores e o PSD (Partido Social Democrático), defensor dos interesses da burguesia.
A adoração àquele que manipulou descaradamente, mas fez, eliminou toda oposição preocupada com as causas sociais em nome do progresso, mas fez, aproxima-se ao carinho paulistano ao “Rouba, mas faz” de Paulo Maluf. É claro que estamos num estado crítico, afinal, mesmo sabendo de todos esses fatos, adoramos políticos corruptos e claramente manipuladores. Contudo, é tão claro quanto o que acabou de ser dito que essas adorações são reflexos de um povo desiludido e sem ídolos. A falta de ícones populares faz com que passemos a adorar certos mitos, folclores sobre pessoas que não merecem tal reconhecimento a partir de ilusões criadas de modo proposital, como a feita sobre Getúlio Vargas.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A Primeira Mulher Presidente?

Ontem foi eleita a primeira presidenta do Brasil, sucessora e afilhada política do primeiro proletário a subir no poder no nosso país. Por mais progressista que pareçam os fatos recém-narrados, não consigo afastar de mim o medo do retrocesso que isso possa nos trazer.

Recentemente, formou-se uma onda de populistas na América Latina; sim, temos Fidel, isso desde os anos 60, mas esse parece inexpressivo e impotente hoje; o problema são simpatizantes do ditador cubano na América do Sul, como Cháves, Morales, o finado Kirschner e o atual presidente do Brasil: Luis Inácio Lula da Silva. Pronto petistas, essa é a sua deixa para parar de ler este texto imediatamente e almadiçoar todas as gerações da minha reacionária família elitista, ou, para aqueles que ainda têm senso democrático, continuar a dar voz para quem pensa diferente.

Não nego os avanços sociais que o Brasil passou nos últimos oito anos; seria como negar a Getúlio o título de “pai do povo”. Sou grande admirador de Vargas; é, com certeza, um dos meus brasileiros prediletos: sua competência política, a estabilidade que manteve mesmo durante o Estado Novo, seu corpo que teve como verdadeiro leito, não o honroso Palácio do Catete, mas os calorosos braços do povo; Machado de Assis (que era Machado de Assis...) teve apenas uma visita estranha, e portanto ilustre, na hora de sua morte.

Certo, certo; eu quis mesmo dar uma mãozinha para o Getúlio agora há pouco, não sou ingênuo o suficiente de canonizar um ditador que se poderia dizer fascista, mas mesmo assim gosto dele, ainda mais que não vivi sob a tutela do Estado Novo.

O mesmo, ao meu ver, acontece no cenário atual; Lula trabalha para canonizar-se. Um sinal disso é a exarcebada militância petista, que para mim soa bem fascista. Quantas não foram as piadas que ouvi a respeito da “bolinha de papel”. Concordo que tomografia é exagero, mas Dilma não tomou bolinhas de papel de militantes tucanos, houve, sim, o caso das bolsas d’água, suspeitosamente um dia depois da bolinha do Serra, que não a atingiram e nem conseguiu-se descobrir os malfeitores; percebem a guerra simbólica? O problema não é a bolinha, é o ato de militantes petistas irem arrumar confusão no ninho do tucano carioca.

Outro exemplo são as políticas sociais que disse no começo do texto. O “Bolsa Família”, as cotas (que merecem um texto a parte), entre outros funcionam como um grande mercado de votos, isso sem falar no velho serviço público, com todos os seus assessores e assessores de assessores.

Lula está no poder há oito anos, mas sua corrida ao Palácio da Alvorada começou há vinte, quando foi derrotado por Collor e desde então só não foi candidato nessas eleições, porque a Constituição não o permitiu. Mas logo ele tratou de escolher uma figura sem expressão pública dentro de seu partido, a então ministra da Casa Civil acessorada por Erenice Guerra (que entra no mesmo patamar das cotas), que até ali nunca tinha disputado um cargo eletivo, para servir como sua sucessora política.

Junto a isso, o governo federal instruiu as Câmaras Estaduais aliadas que propusessem uma lei de censura à imprensa, defendendo que essa cometeria abusos. Ora, criticar o governo não é abuso nenhum, é um direito fundamental à democracia. E os órgãos estatais? A TV que filmou as propagandas da presidenta eleita? Ou então, a nossa sugestão à Academia para concorrer a melhor filme estrangeiro, vocês viram? “Lula: o Filho do Brasil”. Sinceramente, não conheço o filme, por enquanto, basta-me o do Mandela, mas foram tantos os filmes brasileiros a que assisti este ano para os quais “brilhante” soaria modesto, que acho no mínimo suspeita esta indicação.

Então, seria mesmo a primeira mulher presidente? ou o nosso velho Lula?

Alegra-me ver que o Brasil não se mostra uma Bolívia ou uma Venezuela para abraçar esses neopopulistas; no Piauí a lei "anti-imprensa" já foi entendida inconstitucional, Dilma não teve maioria brutal e avassaladora dos votos e os meios de comunicação não têm a menor intenção de deixarem de ser incômodos.

sábado, 21 de novembro de 2009

São Carlos - Da escravidão ao Tecnopólo

Que este título não passe uma idéia positivista, nem de uma linha evolucionista da história, já que tento fugir dela. Porém, que ajude a escancarar um problema crônico brasileiro; a desigualdade, ou mais que isso, o choque entre o arcaico e o moderno.

A cidade de São Carlos é referência por causa das suas universidades, USP e UFSCAR. Mais do que possuir universidades de tal porte, esses centros possuem pesquisas muito avançadas. Enquanto o LATAR (laboratório de tratamento e reuso das águas) produz tecnologias de ponta, a alguns metros dali, no centro comercial da cidade, são poucos que sabem algo concreto referente às universidades. Isso nos faz refletir sobre uma alienação geográfica, comum no Brasil. Essa separação tão forte é fruto de um processo histórico e cultural, pois desde sempre, as empresas que aqui se instalaram, por exemplo, tiveram facilidades fiscais e uma fraca fiscalização ambiental. Nunca foi exigido pelo nosso governo, que se fizesse algo para a população local, depois de utilizar seus recursos naturais. Logo, essas empresas, ou instituições públicas estão presentes fisicamente nesses locais, todavia constituem relações muito fracas.

Portanto, a afirmação de que essas universidades têm grande importância social, é uma constatação do ponto de vista de uma pequena parcela da sociedade, ou seja, uma elite que pode acessá-la.

Curioso que essa cidade acaba sendo considerada pela própria prefeitura e por vários moradores através da propaganda feita pelo município, como a capital da tecnologia, mesmo tendo seu passado extremamente ligado a produção cafeeira, e infinitamente esquecido e apagado pelo sistema educacional da região. Cultura cafeeira que por sinal ajudou a fundar a cidade, com os privilégios que foram cedidos ao Conde do Pinhal.

Porém, será que é do interesse, ou faz diferença para as autoridades o conhecimento da maioria sobre disso? E sobre o que se desenvolve nas universidades, ou até do poder econômico da cidade? Pois, se tratamos de uma cidade com tais características, onde estão esses benefícios que não são refletidos para a maioria? Já que ao entrevistar essa população, foram observadas reclamações e carências a todas as áreas de serviços fundamentais que deveriam ser responsáveis pelo poder público.

O conhecimento sobre a história da sua região e, como conseqüência, a atual situação dela é fundamental por diversos motivos, entre eles os políticos e até do conhecimento como fim em si mesmo, sem um desejo prático instantâneo. Contudo, falar isso de São Carlos é simples, mas e nós? Conhecemos a história da nossa cidade? Será que isso é da maioria? E sobre a USP?

terça-feira, 3 de novembro de 2009

É pixo neles!

Vivemos em uma cidade de fato singular, acabo de saber que foi aqui em São Paulo que a pixação teve sua origem, sendo assim um movimento legítimo da Paulicéia ritmada.
A Pixação é algo que nos deparamos no nosso dia-dia adentrando nossa frente em cada esquina, cada muro, cada espaço urbano.
Confesso ter passado grande parte da minha vida reprimindo esse tipo de movimento devido a sua grosseria estética, se é que posso cometer esse julgamento pouco digno, mas de uns tempos para cá tenho me pego pensando e defendendo os pixadores da São Paulo que não dorme.
Pelo simples fato de ser um legítmo movimento de apropriação do espaço urbano que nos é tão estranho. Deixar o nome lá pixado em preto com uma tipografia pouco compreensível nas portas do Banco Safra ou da Venda de Verduras do italiano anarquista nada menos é do que tornar a cidade menos estranha aos seus habitantes, e principalmente aqueles menos privilegiados, a quem ela normalmente é mais hostil e rude.
Não hei de entrar no mérito do desenho em termos qualitativos, ou mesmo se aquilo é de fato arte, pois embora eu a considere, não é esta a questão na qual pretendo me apegar.
Mas sim como as pixações interferem no cotidiano, e se levadas para a galeria elas ainda trazem sua essência enquanto manifestação artística urbana e popular. Em primeiro lugar é importante discutirmos o que é público, o que é o espaço público. O recorrente argumento de que aquele muro pertence a um "cidadão de bem" e o pixador não tem o direito de vandalisar aquilo com sua natureza criminal é bem presente nos discursos de quem se manifesta contra o movimento de pixação, logo, começo nesta mesma chave, só que ao contrário.
Primeiro eu gostaria de ir logo ao ponto, bem claramente: Do muro pra dentro é seu, mas do muro para fora, incluindo o muro, meu querido, é tudo nosso! É da cidade, e sendo da cidade pertence a todos, todos podem e devem interferir naquele espaço pois a cidade não deve ter sua funcionadlidade ligada somente a estadia de seus munícipes, ou ser uma paisagem tranquila, a cidade é o lugar dos confrontos, entre as ideologias, entre as realidades e no caso entre as estéticas.
E antes que venham com aquele discurso fraco e batido de que "seu direito acaba onde o meu começa" digo lhe que no caso os direitos estão todos misturados, e se depender de mim e dos pixadores, eles seram escritos e atravessados nos muros das nossas casas.
Então cabe a nós interferirmos no espaço urbano. A nossa representação de classe(filhos da burguesia), cá entre nós, não tem nenhuma produção ligada a este tipo de intervenção (podem desistir! que consumir não é intervenção no espaço, pelo contrário, e a reafirmação de uma estética de massa). Os pixadores hoje, são os que melhor modificam e se apropriam deste espaço, escrevendo os seus nomes, se indentificando com a cidade.
Mas não me venham também com discurso de ONG, que sempre, repito, sempre é hipócrita e mercadológico, de que vai selecionar um muro no seu beco particular ou da sua galeira de "strett-art" ou espaço do meio-ambiental para que os pixadores e grafiteiros desenhem e que todos possam conviver em paz. Esse discurso pode parecer uma alternativa à estética atual,mas nos engana, pois ele a reafirma, se apropriando desses movimentos, e vendendo suas mercadorias atraves desses movimentos(vejam os becos da Vila Madalena, o quão mercadoria aquilo já virou.).
Lembremos, meus caros amigos, não estou discutindo estética, pois definitivamente os becos da Vila Madalena, entre outras centenas parecidos são belíssimos e confesso ser conservador demais para discutir estética, digamos que minha caretisse artística não cai bem à essa discussão tão revolucionária.
Também não peço que os governos a partir de então incluam pixo nas "leis das cidades limpas", não quero ver o pixo sendo apropriado pelos tucanos e democratas com suas confusões urbanas ou até mesmo pelos petistas que em grande parte, só fazem média, eu quero ver o pixo na ilegalidade, pois só um movimento esteticamente violento pode responder a altura a violência estetica do capitalismo.
A critica e a resposta tem que ser radical, não pode ir para as galerias, não que as galerias não sejam o lugar da revolução estetica, mas esta especifica só é revolucionaria quando feita na urbes, na galeria ela fica domada, como o capital a quer, calminha.(já imaginou um pixo da Hello Kitty?)
Eu entendo que estes artistas ou interventores tenham de ganhar seu dinheiro e que todo mundo quer satisfazer seus desejos, mas na galeria não é pixo, é uma copia estética do pixo, mas não o é!
Não podemos levar os pixos para as galerias convencionais, temos que entendermos a rua como a galeria legítima para esse tipo de arte, temos de mudar nossa concepção de cidade, a cidade é um museu, uma galeria, cabe a nós ressigficá-la frente ao ritmo de produção. As obras já estão expostas, devemos diminuir nosso ritmo para vê-las.
Mas não devemos entender a cidade como uma galeria que proteje suas obras, por serem elas sacras, pelo contrário, a insegurança da obra na cidade é o seu maior valor museológico, a obra enquanto interina,uma obra na cidade que não seja perene, que não fique trancafiada em uma caixa de vidro, como a Monalisa. Que seja destrutível, para que então, possa ser recriada e assim se sustentará a verdadeira arte urbana.
Confesso não apreciar a estética do pixo, mas a arte e os movimentos estéticos em geral são como a espuma de uma bebida, elas só se sobressaem do que de fato é a sociedade. A sociedade planta sua própria cultura e a sua arte, e cabe a nós entendê-las melhor. Uma sociedade como a de hoje não pode pedir mais de suas formas artísticas populares do que o pixo, o grafite, pois eles são legitimos e refletem de forma contrária uma cidade de passagem.
Então meus caros, me manifesto aqui favorável à pixação, e caso esta venha a ocorrer no meu muro, aconselho o mesmo tipo de entendimento caso aconteça a vocês: Se dê por contente que seu muro foi apropriado, foi modificado. Caso não goste da modificação, vá até o muro do teu vizinho ou até o de alguém do outro lado da cidade e pixe, modifique,mas não resmungue por algo tão interessante e popular, pois aqui isto é raro, você acabada de presenciar na sua pele, digo parede, uma movimentação política de apropriação urbana do Séc XXI, é mais raro que ouro. Se satisfaça por ter ocorrido contigo, entenda o privilégio que você teve, e por fim, respeite a pixação e seus interventores, os pixadores.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Como o Brasil foi apodrecendo?

Os poderes começaram a “definhar” aproximadamente no ano de 1889, no período da República das Oligarquias Cafeeiras, o coronelismo e o curral eleitoral evidenciaram como o sistema supostamente “impenetrável”, foi “apunhalado pelas costas” por parte dos próprios representantes dos poderes! Naquela época ficou nítida a opção dos governantes brasileiros em priorizar uma minoria e excluir a maioria, não é a toa que se destacaram muitas revoltas de caráter popular, exemplo disso é a Revolta da Vacina, que “empurrou” os pobres para os morros, “deslocou” os negros do âmbito social. Que coisa mais ridícula essa política de branqueamento, essa tentativa de “europeizar” a sociedade brasileira, isso não tem nada de moderno.

100 anos mais tarde, 1990, entra vem vigor o Plano Collor, um conjunto de reformas econômicas e ações para estabilização da inflação: Programas de reforma de comércio externo, política industrial mais conhecida como PICE, e um Programa de Privatização intitulado Programa Nacional de Desestatização, mais conhecido como PND. Fernando Collor de Mello teve seu mandato precidencialista cassado em 1992, por envolvimento em esquemas de corrupção, em parceria de seu sócio e tesoureiro de campanha eleitoral Paulo César Farias. Então, os poderes não melhoraram, muito menos a estrutura do país. Corrupção é sinônimo de “involução”, de retrocesso! O "esquema PC" arrecadou exclusivamente de empresários privados o equivalente a US$ 8 milhões, R$ 15 milhões, em dois anos e meio do governo Collor. PC Farias teria controlado quase todos os ministérios durante o governo Collor e diversos setores da economia. O ex-tesoureiro da campanha de Collor teria manipulado grandes contratos do país através da indicação de funcionários no segundo e terceiro escalões do governo para alterar documentos, criar contas fantasmas e desviar, sem pistas, verbas que deveriam ser aplicadas em obras públicas, educação, saúde, segurança e previdência social. A Polícia Federal, ao longo de investigações no Brasil e no exterior localizou contas de PC Farias na Europa, de onde foram feitas transferências para as contas em Nova York e Miami. Repare que o fato de um presidente “passar” suas obrigações a outra pessoa, é ferir a constituição da maneira mais grave, afinal de contas, uma vez eleito presidente, as responsabilidades de “chefe do país”, cabem a ele e só a ele.

Mensalão, 10 anos após o escândalo do governo Collor, o povo brasileiro saturado de corrupção, explode na mídia Roberto Jefferson denunciando um esquema que desvia verba pública. Considerada a maior crise política sofrida pelo governo brasileiro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2005/2006, suposta "mesada" paga a deputados para votarem a favor de projetos de interesse do Poder Executivo. Foi descoberto em julho de 2008, durante uma investigação sobre o banqueiro Daniel Dantas, que o Banco Opportunity foi uma das principais fontes de recursos do mensalão. Através do Banco Opportunity Daniel Dantas era o gestor da Brasil Telecom, controladora da Telemig e da Amazonia Telecom. As investigações apontaram que essas empresas de telefonia injetaram R$ 127 milhões nas contas da DNA Propaganda, administrada por Marcos Valério, o que, segundo a PF, alimentava o Valerioduto, esquema de pagamento ilegal a parlamentares. A Polícia Federal pôde chegar a essa conclusão após a Justiça ter autorizado a quebra de sigilo do computador central do Banco Opportunity. A maioria dos problemas explode no Executivo, justo aquele poder que é supervisionado e comandado diretamente pela “força maior do Estado”, o presidente que teria o poder da “ação”, de concretizar, de definir.

Não quer dizer que no Legislativo e Judiciário não existam problemas, claro que temos. Exemplos destes são quando o TCE julgou irregular a Tomada de Contas do Legislativo Municipal de Barros Cassai no exercício de 2004. O conselheiro Porfírio Peixoto, em seu relatório e voto, levantou ressalvas às normas de administração financeira e orçamentária. Depois de ser cientificado da decisão, o presidente da Câmara de Vereadores de Barros Cassai, no ano citado, teria um prazo de 30 dias para recorrer e tentar reverter sua situação (ele que se vire pra provar que não desviou verba, quero só ver). Ou também quando o jurista Elival da Silva Ramos, que acaba de conquistar uma cadeira de professor titular de Direito Constitucional da Universidade de São Paulo criou uma tese contrária ao ativismo desse Poder. "O Judiciário, às vezes de maneira um pouco inconsequente, tenta resolver os problemas nacionais, custe o que custar. E, na verdade, cria outros problemas", disse ele ao Estado. "Se acreditarmos que o STF pode decidir de maneira livre, aquilo que quiser, então joga fora a Constituição e o Supremo vai escrever outra." Isso demonstra que “decisões de maneira livre” são comuns quando os representantes dos poderes são reunidos, fugindo do que está pré e pós estabelecido na Constituição!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Olimpíadas vem aí!

Depois da euforia em relação à vitória do Rio para sediar as olimpíadas de 2016, vamos tentar fazer uma análise mais fria e centrada.

As olimpíadas, a Copa do Mundo de 2010 e os jogos Pan-americanos de 2007 demonstram a importância geopolítica que nosso país vem tendo mundialmente nos últimos tempos. Até por que, vencemos na disputa para a execução das olimpíadas, potências inquestionáveis, como Chicago (EUA), Madrid (Espanha), Tokyo (Japão), entre outras.

Porém, é Curioso analisar a posição do povo japonês que em meio à crise mundial, rejeitou os jogos com aproximadamente 40% da população. Eles gostariam que esse dinheiro não fosse investimento na modernização da infra-estrutura necessária para execução dos jogos, e sim em outras áreas que beneficiassem diretamente a todos. Sem considerar que tratamos de um país resolvido economicamente e que, certamente, não tem nossos problemas sociais.

Enquanto isso, batemos palma para um evento que custará cerca de 26 Bilhões de reais, aproximadamente 1% do PIB brasileiro, se considerarmos o ano de 2008. Com certeza teremos uma maior infra-estrutura para a cidade do Rio de Janeiro, mas apenas para o Rio, com o dinheiro dos outros Estados. Além de que, tratamos de uma melhoria de infra-estrutura até a segunda página, pois muitas dessas obras ficaram sem uso depois dos jogos.

Quantas escolas e hospitais poderiam ser construídos com esse dinheiro? E se somarmos os gastos do Pan de 2007 e do que se pretende gastar na Copa de 2010, com as Olimpíadas? Claro que para um governo que quer se restituir no poder, essas cerimônias são mais importantes, porque impressionam infinitas vezes mais a população.

Nem citarei a violência como um problema, pois é possível prever que a repressão será tão forte nas favelas cariocas a ponto de capitão Nascimento nenhum colocar defeito. Isso por que nem consideramos uma questão crônica do nosso país: a falta de transparência com o uso do dinheiro público.

Mais do que a corrupção, os últimos escândalos que saíram na mídia aumentam o pessimismo em relação a essa organização. Como queremos organizar tantos eventos de tamanha importância, se temos dificuldade em organizar uma prova, como o ENEM? A segurança de uma prova foi violada, portanto, imaginem o que pode ser feito com os milhares de atletas de inúmeros países.

Um recente acontecimento que mexe com outro ponto de extrema importância para a efetuação de tais eventos, demonstrou as condições dos transportes cariocas. O Rio, como outras grandes cidades brasileiras, tem grandes defeitos nesse aspecto, tanto que centenas de pessoas ficaram sem condições de trabalhar na baixada fluminense, como constatou a Folha de S. Paulo do dia 8 de outubro. As conseqüências disso foram à destruição dos estabelecimentos do metrô.

Logo, a festa poderá ser linda (como deverá ser), mas ainda podemos nos deparar com novos alvoroços políticos de corrupção, de violência, entre outros. Porém, depois de saber que o Estado brasileiro tem tanto dinheiro para investir em um acontecimento esportivo, podemos cobrar e nos perguntar em relação ao pouco caso governamental com a saúde e a educação.

O que me incomoda é isso; penso que a execução de tais eventos são investimentos supérfluos. Não teria essa posição se outras áreas estivessem passando por uma reforma, ou até em construção, visando uma melhor base em diversos sentidos para a grande maioria. Contudo, torço para que esses eventos sirvam de lazer para uma cidade, como a maioria da nação, carente de momentos públicos prazerosos.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A Utopia

Antes de tudo, me considero muito utópico. Para que e como viver sem as utopias? O mundo sem elas faz com que fiquemos no absoluto conformismo, que aceitemos tudo, nos tornando niilistas. Elas são as maiores fontes de críticas, que como conseqüência, exigem a renovação de todo e qualquer pensamento.

Realmente, muitas das experiências socialistas foram falhas, mas serviram para que os filósofos, diferentemente do dito por Marx, continuem pensando o mundo, como foi proposto por Theodor Adorno. Logo, a prática possibilita um aperfeiçoamento da teoria, para que os equívocos sejam explicados e futuramente não se repitam.

Hoje em dia, entendemos alguns dos motivos para tais revoluções socialistas não terem sido o esperado. Primeiramente, o homem socialista, na maior parte do tempo e dos casos, não foi criado. Portanto, idealizaram um regime que preza a solidariedade, ou seja, fraternidade, igualdade e até a liberdade com uma mentalidade capitalista, de competição. Sito esses valores, porque eles não são restritos aos burgueses. Passaram a ser valores ocidentais, inclusive, da esquerda em si.

Talvez, os governos socialistas não nos deixaram muito esperançosos, mas ela, teoria, faz-me crer muito nesse ideal. Enquanto muitos, por outro lado, defendem uma que teoria que nela, já está à desigualdade, como a liberal.

Curioso é observar, escritos liberais que ousam falar em liberdade. O que considero, neste caso, um bem muito restrito e particular, com o caráter pequeno burguês. Como nosso professor de história disse, defender essa liberdade, proposta pelo liberalismo, inclusive a de mercado, é, simplesmente, defender um privilégio. Quantos são aqueles que podem colocar seus filhos em uma escolar particular? Bom, para estes, realmente, a liberdade burguesa existe, pois possuem um grande leque de opções. Já que, ela se resume ao quanto de dinheiro que você tem no bolso.

A liberdade, no entanto, deve ser pensada de modo coletivo. Agnes Heller, primeiramente, acredita que esse sistema alienante cria estereótipos, preconceitos, devido ao seu cotidiano pragmático, direcionado para o consumo. Portanto, nossas ações são pautadas por valores que liquidam nossa liberdade, que deveria ser baseada na reflexão, ou seja, uma ação ativa e não passiva.

Além disso, a liberdade não é ago quantitativo, de quantas pessoas são livres, mas sim, qualitativo, se nossa sociedade, por exemplo, é ou não livre. Nossas ações cotidianas estão tão relacionadas aos outros que não teria condições de escrever esse texto, sem o trabalhador que o produziu em determinada indústria e sem as conversas com o companheiro Vitor Quarenta. Deste modo, a falta de liberdade de um, fará com que todos não a tenham. Será que o filho de um determinado burguês, no gera, é livre a ponto de ir a uma favela? Além de poder ter seus preconceitos, o que não é ago necessário, ele não faz parte de determinados contratos sociais que lá, podem existir devido, também, a falta de liberdade.

Porém, nem é isso que mais me incomoda. O problema é atacarem a ideologia marxista criada, muitas vezes pelos próprios governos de esquerda por meio da sua arte, como se fosse à teoria. Vamos deixar bem claro que não existe essa de igualdade plena, de todos iguais a todos. Uma das bases de Marx, Espinosa, acredita que todos somos singularidades, que recebemos de modos diferentes os afetos exteriores a nós. Se todos nós somos diferentes, por que tratar todos de modo igual? Para isso ser realmente uma igualdade, todos nós deveríamos ter o direito e a chance de ter suas diferentes necessidades supridas, igualmente.

Enquanto a outra base de Marx e Engels, Hegel, refuta a idéia de que somos naturais, como também faz aquele nosso professor de história. Temos muito pouco de natural. A alimentação, hoje em dia, por exemplo, não tem apenas uma função de nos alimentar. Não deveríamos ter o medo de morrer de fome, tanto que não saímos de casa para caçar, e muito menos aceitamos comer tudo o que achamos. Ela passou a ter um papel muito distinto; o de ser algo prazeroso. Nela são transmitidos valores. O sentimento de liberdade ao beber uma coca-cola e lembrar-se das suas propagandas, onde até os ursos bebem-na e se jogam de cachoeiras de uma maneira magnífica. Logo, podemos concordar e entender a tese hegeliana de que a cultura é a negação da natureza. Deixamos de ser naturais, na medida em que os objetos naturais não nos satisfazem, ou seja, quando passamos a produzir e nos relacionar, para melhor nos relacionarmos.

O homem, então, em suas comunidades, se torna um ser da práxis, ou seja, passa a ter uma relação direta com a natureza e com outros homens com um propósito bem definido, de melhorar suas condições de vida. O problema, como no exemplo da alimentação, aparece na distribuição de renda e de alimentação, e não a falta dela.

O sistema proposto por Adam Smith é, sem dúvidas, alienante, com uma grande divisão social do trabalho. O mercado, criado por ele, passa a ter vida própria e, na maioria dos casos, agir contra nós. A teoria criada por Marx tenta liquidar isso.

E para aqueles que julgam os regimes socialistas como assassinos, proponho que tentem ver o quanto a GM, ou outras forças capitalistas, matam por ano. Sem querer defender a morte de muitos por estes regimes, o que está totalmente errado, mas como um professor disse; agora o de geografia, o que mais mata ao ano, de modo disparado, são os acidentes de trânsito.

A minha escolha foi essa, lutar por um mundo melhor por meio da teoria socialista, que preza pela fraternidade, ao invés de cruzar os braços e aceitar a enorme exclusão social. Duro é ver que mesmo quando o socialismo chega ao poder de modo democrático, as forças internacionais atacam o palácio do governo, e deixam morto seu presidente, como o que aconteceu com Salvador Allende.