domingo, 13 de fevereiro de 2011

Dado de Beijo

Doce ou amargo?
Não sei,
foi-me um beijo negado.

Mas nego!
Não de nada, nem de tudo;
nego o negado!

Dado, não! Dado ah...
Dado é dado, nem pedido,
não é negado. É dado!

Mas... e roubado?
Nem dado, nem pedido, nem negado.
Roubado? É...
(beijo roubado)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Onde estará a Pantera Cor de Rosa?

É fato que o preconceito contra os negros existe e é forte. É fato também que, no Brasil, esse sentimento tende a se tornar cada vez mais velado devido às vitórias históricas desse grupo, como tornar inconstitucional qualquer manifestação de racismo. Além dessa conquista, a moral cotidiana passou a reprimir o preconceituoso no dia-a-dia. Atualmente, é “feio” ter e assumir aversão aos negros. Contudo, será que demonstrações claras de preconceito contra outros grupos também são enfrentadas assim?

Se pararmos um pouco para pensar, veremos que não. Dois fatos que ilustram essa resposta foram veiculados pela mídia brasileira recentemente. O meia Richarlyson do São Paulo Futebol Clube foi hostilizado, por exemplo, durante todo o campeonato brasileiro do ano de 2010 pelo fato de ser, supostamente, homossexual. No dia 2 de fevereiro de 2011, no caderno Cotidiano da Folha de S. Paulo, ficou claro que o governo do Estado paulistano deixou de contratar quatro profissionais devido ao seu peso, fato esse considerado incompatível com a constituição brasileira pela OAB. Situações como essas, aparentemente, só serão reprimidas se esses dois grupos se mobilizarem de modo ético e político cotidianamente. Características que, com certeza, não se enquadram com as da “Parada Gay”, verdadeiro carnaval fora de época.

Agnes Heller, filósofa marxista, condenaria esse movimento, afinal se ela exige uma solução, ou indaga a um problema, isso, sem dúvida, está em segundo plano. O principal debate gerado em torno do evento é sobre as cifras que viram para a cidade de São Paulo e não sobre o preconceito em relação ao homossexual.

Mesmo que o movimento ganhe outros rumos e consiga conquistas semelhantes as dos negros, o preconceito ainda existirá. Heller pensa ser muito difícil eliminar o preconceito do cotidiano. Entretanto, acredita ser plenamente viável acabar com os seus reflexos e conseqüências. Poderíamos não ter que presenciar fatos como os dirigidos ao atleta Richarlyson, ou aos candidatos a professor no Estado de São Paulo. É importante que assumamos nossos preconceitos (assim como tento fazer com os meus) e não tenhamos vergonha deles.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A Segunda Impressão Sobre a Primeira Mulher Presidente

Apesar dos poucos leitores que tive em minha última postagem (e que ainda freqüentam este blog), sou obrigado a dizer que mudei de opinião sobre a nossa primeira presidenta. Dilma Rousseff tem mostrado completa independência de seu padrinho político; neste curto mês em que ocupou o maior cargo de nossa república, a presidente superou em muito minhas expectativas.

Primeiro de janeiro, depois de almoçar muito bem na casa de minha avó, sentei para assistir à TV. Sabem o que estava passando? A posse. A essa altura a cerimônia já chegava ao Palácio do Planalto, Dilma estava no Rolls Royce presidencial na companhia de sua filha, creio. Atrás vinham Temer e sua simpática mulher, essa que roubou meus olhos durante a esperada entrega da faixa.

Mas não foi por falta de pontualidade que deixei de ver outros momentos importantes desse marcante dia da história brasileira. Todos os meios de comunicação estavam recheados com notícias sobre o ocorrido, e não sei em qual desses vi o primeiro discurso feito por Dilma no ano – aquele no Congrsso Nacional – ao qual bati palmas quando nossa presidente falou: “ (...) prefiro o barulho da impensa livre ao silêncio das ditaduras”, fazendo clara menção à lei que seu antecessor quisera tanto aprovar.

Claro que não foi apenas seu discurso que me motivou a preencher estas longas linhas; quanto à política externa, Dilma apresentou outra postura que me agradou muito. Ao contrário de Lula, que sempre fez questão em demonstrar sua enorme simpatia por ditaduras como a cubana, sua sucessora condenou as violações dos direitos humanos praticadas pelos Castros no último meio século.

Além disso, a nova presidente bateu o martelo para fixar o salário mínimo e para legalizar as moradias da região serrana do Rio de Janeiro, decisões que batem de frente com movimentos trabalhistas e populares aos quais Lula preferia apadrinhar enquanto trabalhava sua imagem populista.

Sendo assim, confesso que me enganei sobre nossa primeira presidenta, e, realmente, não é nosso velho Lula que continua a dar as cartas; mas sim a primeira mulher a ocupar tal cargo em nosso país.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Doce Ilusão

Getúlio Vargas ficou para a história do Brasil como o “Pai dos pobres”. O ditador brasileiro recebeu tal status por ter sido o nosso primeiro governante a dar reais benefícios às classes sociais menos favorecidas. Essa bonita história esconde, porém, os interesses manipuladores de Vargas, a barbárie em que vivia a sociedade da época e vivemos e o título dado por um setor mais crítico da sociedade, tão merecido quanto o primeiro, de “Mãe dos ricos”.
Getúlio, assim como os outros governantes considerados populistas, tornou-se muito popular entre os trabalhadores devido aos privilégios que a eles concedeu. E, a partir dessa popularidade, Getúlio os manipulou. O ditador viveu num mundo onde o movimento trabalhista era forte em quase todos os países. Por meio dessas lutas, o proletariado passou a conquistar certas regalias. Contudo, para alcançá-las, era necessário ter uma excelente organização e pessoas com consciência de classe. O Brasil que iniciava a sua explosão industrial com Getúlio também passaria, em algum momento, por tal situação. Entretanto, na medida em que Vargas dá ao povo todos esses privilégios e reformula todos os sindicatos, tirando todos aqueles considerados subversivos, nosso proletariado se tornou pouco combativo.
Não é à toa que Getúlio também pode ser chamado de “Mãe dos ricos”. Além de usufruir da infra-estrutura criada pelo Estado getulista, o empresariado se acostumou a trabalhar, ou melhor, a explorar o seu empregado sem que ele pudesse se organizar e lutar por melhores condições. Afinal, mesmo tendo seus méritos, a CLT feita por Vargas é uma cópia das leis trabalhistas criadas pelo ditador italiano Mussolini, também preocupado em manipular o povo italiano, desenvolver a indústria e o seu projeto fascista. Outro fato que exibe o caráter manipulador de Getúlio e a sua preocupação com o empresariado é a sua contribuição na criação de dois partidos distintos que representam classes sociais antagônicas, o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), representante dos trabalhadores e o PSD (Partido Social Democrático), defensor dos interesses da burguesia.
A adoração àquele que manipulou descaradamente, mas fez, eliminou toda oposição preocupada com as causas sociais em nome do progresso, mas fez, aproxima-se ao carinho paulistano ao “Rouba, mas faz” de Paulo Maluf. É claro que estamos num estado crítico, afinal, mesmo sabendo de todos esses fatos, adoramos políticos corruptos e claramente manipuladores. Contudo, é tão claro quanto o que acabou de ser dito que essas adorações são reflexos de um povo desiludido e sem ídolos. A falta de ícones populares faz com que passemos a adorar certos mitos, folclores sobre pessoas que não merecem tal reconhecimento a partir de ilusões criadas de modo proposital, como a feita sobre Getúlio Vargas.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A Primeira Mulher Presidente?

Ontem foi eleita a primeira presidenta do Brasil, sucessora e afilhada política do primeiro proletário a subir no poder no nosso país. Por mais progressista que pareçam os fatos recém-narrados, não consigo afastar de mim o medo do retrocesso que isso possa nos trazer.

Recentemente, formou-se uma onda de populistas na América Latina; sim, temos Fidel, isso desde os anos 60, mas esse parece inexpressivo e impotente hoje; o problema são simpatizantes do ditador cubano na América do Sul, como Cháves, Morales, o finado Kirschner e o atual presidente do Brasil: Luis Inácio Lula da Silva. Pronto petistas, essa é a sua deixa para parar de ler este texto imediatamente e almadiçoar todas as gerações da minha reacionária família elitista, ou, para aqueles que ainda têm senso democrático, continuar a dar voz para quem pensa diferente.

Não nego os avanços sociais que o Brasil passou nos últimos oito anos; seria como negar a Getúlio o título de “pai do povo”. Sou grande admirador de Vargas; é, com certeza, um dos meus brasileiros prediletos: sua competência política, a estabilidade que manteve mesmo durante o Estado Novo, seu corpo que teve como verdadeiro leito, não o honroso Palácio do Catete, mas os calorosos braços do povo; Machado de Assis (que era Machado de Assis...) teve apenas uma visita estranha, e portanto ilustre, na hora de sua morte.

Certo, certo; eu quis mesmo dar uma mãozinha para o Getúlio agora há pouco, não sou ingênuo o suficiente de canonizar um ditador que se poderia dizer fascista, mas mesmo assim gosto dele, ainda mais que não vivi sob a tutela do Estado Novo.

O mesmo, ao meu ver, acontece no cenário atual; Lula trabalha para canonizar-se. Um sinal disso é a exarcebada militância petista, que para mim soa bem fascista. Quantas não foram as piadas que ouvi a respeito da “bolinha de papel”. Concordo que tomografia é exagero, mas Dilma não tomou bolinhas de papel de militantes tucanos, houve, sim, o caso das bolsas d’água, suspeitosamente um dia depois da bolinha do Serra, que não a atingiram e nem conseguiu-se descobrir os malfeitores; percebem a guerra simbólica? O problema não é a bolinha, é o ato de militantes petistas irem arrumar confusão no ninho do tucano carioca.

Outro exemplo são as políticas sociais que disse no começo do texto. O “Bolsa Família”, as cotas (que merecem um texto a parte), entre outros funcionam como um grande mercado de votos, isso sem falar no velho serviço público, com todos os seus assessores e assessores de assessores.

Lula está no poder há oito anos, mas sua corrida ao Palácio da Alvorada começou há vinte, quando foi derrotado por Collor e desde então só não foi candidato nessas eleições, porque a Constituição não o permitiu. Mas logo ele tratou de escolher uma figura sem expressão pública dentro de seu partido, a então ministra da Casa Civil acessorada por Erenice Guerra (que entra no mesmo patamar das cotas), que até ali nunca tinha disputado um cargo eletivo, para servir como sua sucessora política.

Junto a isso, o governo federal instruiu as Câmaras Estaduais aliadas que propusessem uma lei de censura à imprensa, defendendo que essa cometeria abusos. Ora, criticar o governo não é abuso nenhum, é um direito fundamental à democracia. E os órgãos estatais? A TV que filmou as propagandas da presidenta eleita? Ou então, a nossa sugestão à Academia para concorrer a melhor filme estrangeiro, vocês viram? “Lula: o Filho do Brasil”. Sinceramente, não conheço o filme, por enquanto, basta-me o do Mandela, mas foram tantos os filmes brasileiros a que assisti este ano para os quais “brilhante” soaria modesto, que acho no mínimo suspeita esta indicação.

Então, seria mesmo a primeira mulher presidente? ou o nosso velho Lula?

Alegra-me ver que o Brasil não se mostra uma Bolívia ou uma Venezuela para abraçar esses neopopulistas; no Piauí a lei "anti-imprensa" já foi entendida inconstitucional, Dilma não teve maioria brutal e avassaladora dos votos e os meios de comunicação não têm a menor intenção de deixarem de ser incômodos.

sábado, 21 de novembro de 2009

São Carlos - Da escravidão ao Tecnopólo

Que este título não passe uma idéia positivista, nem de uma linha evolucionista da história, já que tento fugir dela. Porém, que ajude a escancarar um problema crônico brasileiro; a desigualdade, ou mais que isso, o choque entre o arcaico e o moderno.

A cidade de São Carlos é referência por causa das suas universidades, USP e UFSCAR. Mais do que possuir universidades de tal porte, esses centros possuem pesquisas muito avançadas. Enquanto o LATAR (laboratório de tratamento e reuso das águas) produz tecnologias de ponta, a alguns metros dali, no centro comercial da cidade, são poucos que sabem algo concreto referente às universidades. Isso nos faz refletir sobre uma alienação geográfica, comum no Brasil. Essa separação tão forte é fruto de um processo histórico e cultural, pois desde sempre, as empresas que aqui se instalaram, por exemplo, tiveram facilidades fiscais e uma fraca fiscalização ambiental. Nunca foi exigido pelo nosso governo, que se fizesse algo para a população local, depois de utilizar seus recursos naturais. Logo, essas empresas, ou instituições públicas estão presentes fisicamente nesses locais, todavia constituem relações muito fracas.

Portanto, a afirmação de que essas universidades têm grande importância social, é uma constatação do ponto de vista de uma pequena parcela da sociedade, ou seja, uma elite que pode acessá-la.

Curioso que essa cidade acaba sendo considerada pela própria prefeitura e por vários moradores através da propaganda feita pelo município, como a capital da tecnologia, mesmo tendo seu passado extremamente ligado a produção cafeeira, e infinitamente esquecido e apagado pelo sistema educacional da região. Cultura cafeeira que por sinal ajudou a fundar a cidade, com os privilégios que foram cedidos ao Conde do Pinhal.

Porém, será que é do interesse, ou faz diferença para as autoridades o conhecimento da maioria sobre disso? E sobre o que se desenvolve nas universidades, ou até do poder econômico da cidade? Pois, se tratamos de uma cidade com tais características, onde estão esses benefícios que não são refletidos para a maioria? Já que ao entrevistar essa população, foram observadas reclamações e carências a todas as áreas de serviços fundamentais que deveriam ser responsáveis pelo poder público.

O conhecimento sobre a história da sua região e, como conseqüência, a atual situação dela é fundamental por diversos motivos, entre eles os políticos e até do conhecimento como fim em si mesmo, sem um desejo prático instantâneo. Contudo, falar isso de São Carlos é simples, mas e nós? Conhecemos a história da nossa cidade? Será que isso é da maioria? E sobre a USP?

terça-feira, 3 de novembro de 2009

É pixo neles!

Vivemos em uma cidade de fato singular, acabo de saber que foi aqui em São Paulo que a pixação teve sua origem, sendo assim um movimento legítimo da Paulicéia ritmada.
A Pixação é algo que nos deparamos no nosso dia-dia adentrando nossa frente em cada esquina, cada muro, cada espaço urbano.
Confesso ter passado grande parte da minha vida reprimindo esse tipo de movimento devido a sua grosseria estética, se é que posso cometer esse julgamento pouco digno, mas de uns tempos para cá tenho me pego pensando e defendendo os pixadores da São Paulo que não dorme.
Pelo simples fato de ser um legítmo movimento de apropriação do espaço urbano que nos é tão estranho. Deixar o nome lá pixado em preto com uma tipografia pouco compreensível nas portas do Banco Safra ou da Venda de Verduras do italiano anarquista nada menos é do que tornar a cidade menos estranha aos seus habitantes, e principalmente aqueles menos privilegiados, a quem ela normalmente é mais hostil e rude.
Não hei de entrar no mérito do desenho em termos qualitativos, ou mesmo se aquilo é de fato arte, pois embora eu a considere, não é esta a questão na qual pretendo me apegar.
Mas sim como as pixações interferem no cotidiano, e se levadas para a galeria elas ainda trazem sua essência enquanto manifestação artística urbana e popular. Em primeiro lugar é importante discutirmos o que é público, o que é o espaço público. O recorrente argumento de que aquele muro pertence a um "cidadão de bem" e o pixador não tem o direito de vandalisar aquilo com sua natureza criminal é bem presente nos discursos de quem se manifesta contra o movimento de pixação, logo, começo nesta mesma chave, só que ao contrário.
Primeiro eu gostaria de ir logo ao ponto, bem claramente: Do muro pra dentro é seu, mas do muro para fora, incluindo o muro, meu querido, é tudo nosso! É da cidade, e sendo da cidade pertence a todos, todos podem e devem interferir naquele espaço pois a cidade não deve ter sua funcionadlidade ligada somente a estadia de seus munícipes, ou ser uma paisagem tranquila, a cidade é o lugar dos confrontos, entre as ideologias, entre as realidades e no caso entre as estéticas.
E antes que venham com aquele discurso fraco e batido de que "seu direito acaba onde o meu começa" digo lhe que no caso os direitos estão todos misturados, e se depender de mim e dos pixadores, eles seram escritos e atravessados nos muros das nossas casas.
Então cabe a nós interferirmos no espaço urbano. A nossa representação de classe(filhos da burguesia), cá entre nós, não tem nenhuma produção ligada a este tipo de intervenção (podem desistir! que consumir não é intervenção no espaço, pelo contrário, e a reafirmação de uma estética de massa). Os pixadores hoje, são os que melhor modificam e se apropriam deste espaço, escrevendo os seus nomes, se indentificando com a cidade.
Mas não me venham também com discurso de ONG, que sempre, repito, sempre é hipócrita e mercadológico, de que vai selecionar um muro no seu beco particular ou da sua galeira de "strett-art" ou espaço do meio-ambiental para que os pixadores e grafiteiros desenhem e que todos possam conviver em paz. Esse discurso pode parecer uma alternativa à estética atual,mas nos engana, pois ele a reafirma, se apropriando desses movimentos, e vendendo suas mercadorias atraves desses movimentos(vejam os becos da Vila Madalena, o quão mercadoria aquilo já virou.).
Lembremos, meus caros amigos, não estou discutindo estética, pois definitivamente os becos da Vila Madalena, entre outras centenas parecidos são belíssimos e confesso ser conservador demais para discutir estética, digamos que minha caretisse artística não cai bem à essa discussão tão revolucionária.
Também não peço que os governos a partir de então incluam pixo nas "leis das cidades limpas", não quero ver o pixo sendo apropriado pelos tucanos e democratas com suas confusões urbanas ou até mesmo pelos petistas que em grande parte, só fazem média, eu quero ver o pixo na ilegalidade, pois só um movimento esteticamente violento pode responder a altura a violência estetica do capitalismo.
A critica e a resposta tem que ser radical, não pode ir para as galerias, não que as galerias não sejam o lugar da revolução estetica, mas esta especifica só é revolucionaria quando feita na urbes, na galeria ela fica domada, como o capital a quer, calminha.(já imaginou um pixo da Hello Kitty?)
Eu entendo que estes artistas ou interventores tenham de ganhar seu dinheiro e que todo mundo quer satisfazer seus desejos, mas na galeria não é pixo, é uma copia estética do pixo, mas não o é!
Não podemos levar os pixos para as galerias convencionais, temos que entendermos a rua como a galeria legítima para esse tipo de arte, temos de mudar nossa concepção de cidade, a cidade é um museu, uma galeria, cabe a nós ressigficá-la frente ao ritmo de produção. As obras já estão expostas, devemos diminuir nosso ritmo para vê-las.
Mas não devemos entender a cidade como uma galeria que proteje suas obras, por serem elas sacras, pelo contrário, a insegurança da obra na cidade é o seu maior valor museológico, a obra enquanto interina,uma obra na cidade que não seja perene, que não fique trancafiada em uma caixa de vidro, como a Monalisa. Que seja destrutível, para que então, possa ser recriada e assim se sustentará a verdadeira arte urbana.
Confesso não apreciar a estética do pixo, mas a arte e os movimentos estéticos em geral são como a espuma de uma bebida, elas só se sobressaem do que de fato é a sociedade. A sociedade planta sua própria cultura e a sua arte, e cabe a nós entendê-las melhor. Uma sociedade como a de hoje não pode pedir mais de suas formas artísticas populares do que o pixo, o grafite, pois eles são legitimos e refletem de forma contrária uma cidade de passagem.
Então meus caros, me manifesto aqui favorável à pixação, e caso esta venha a ocorrer no meu muro, aconselho o mesmo tipo de entendimento caso aconteça a vocês: Se dê por contente que seu muro foi apropriado, foi modificado. Caso não goste da modificação, vá até o muro do teu vizinho ou até o de alguém do outro lado da cidade e pixe, modifique,mas não resmungue por algo tão interessante e popular, pois aqui isto é raro, você acabada de presenciar na sua pele, digo parede, uma movimentação política de apropriação urbana do Séc XXI, é mais raro que ouro. Se satisfaça por ter ocorrido contigo, entenda o privilégio que você teve, e por fim, respeite a pixação e seus interventores, os pixadores.